Preconceito Linguístico
Enviada em 02/11/2018
Desde o século XX, os modernistas brasileiros buscaram valorizar as variações da língua brasileira, criando uma identidade própria para o país. No entanto, quando se observa o preconceito linguístico como uma realidade onipresente no país, percebe-se que os ideais do movimento não foram concretizados. Nessa perspectiva, cabe analisar fatores que não podem ser negligenciados em atender as demandas desse empecilho, como as variantes da língua têm proporcionado maiores distinções entre os brasileiros e como consequência limita a participação democrática desses cidadãos.
Em primeira análise, convém frisar como segregações sociais acentuam os preconceitos, diante da língua. De acordo com a teoria de evolutiva do cientista Charles Darwin, o processo seletivo que ocorre na natureza proporciona a estabilidade das qualidades mais adaptadas para o meio. Do modo análogo, verifica-se que isso também ocorre com a linguagem, já que o país se adaptou a norma culta tendo como majoritariamente correta e o padrão a ser seguido pelos brasileiros. Entretanto, nem todos os brasileiros tem acesso a educação, além dos fatores históricos, regionais, cultural que são influências para a variação linguística, mas não são reconhecidos pelo país, viabilizando o preconceito na sociedade.
Ademais, convém discutir como as discrepâncias no modo de falar tornam os cidadãos limitados dos seus direitos. Diante dessa realidade, percebe-se que a liberdade de expressão perceptível em um país democrático, é deturpada pelo Brasil, haja vista que diante dos preconceitos linguísticos acaba retraindo a população de suas participações políticas ou reivindicatórias utilizadas para construções sociais. Tal fato poder ser comprovado à partir da ideia defendida por o pensador contemporâneo Nick Couldry, que discutiu sobre como a desigualdade de fala condena os excluídos à inexistência, retirando vozes do espaço público.
Portanto, torna-se evidente que o país possui muitos entraves para erradicar os preconceitos contra a língua brasileira. Logo, o Ministério da Educação, com o apoio de profissionais pedagogos e psicossociais, desenvolvam trabalhos como palestras, cursos e brincadeiras didáticas em âmbito escolar que fomentem o reconhecimento das variantes linguísticas do Brasil durante toda a formação. Para que assim, a vasta diversidade nacional seja preservada e enaltecida, tal qual em vários momentos da historia, como no período do modernismo, tentou-se ferozmente fazer.