Preconceito Linguístico

Enviada em 02/11/2018

É de conhecimento geral a existência do preconceito linguístico no Brasil, mas esperar uma hegemonia linguística em um país de proporções continentais, é vergonhoso. Desde a imposição do idioma português para com os nativos brasileiros, até os dias atuais, a variação da língua falada foi enorme e se mantém em evolução, progredindo e se atualizando, para cumprir seu papel de agente comunicativo com maestria.

É imperativo que se leve em consideração a formação da atual sociedade brasileira, que se baseia em uma enorme diversidade cultura, vinda dos milhões de imigrantes que se espalharam pelo território do país. Graças aos idiomas trazidos, o português de Portugal passou por adaptações, ganhando sotaques e gírias regionais até se tornar no português do Brasil. Por tanto, a variedade linguística deveria levar a cada grupo a ideia de orgulho pela sua história e formação, mas não é o que acontece.

Deve-se abordar, ainda, que usar a língua falada como mais uma barreira social é desonesto, tendo em vista o sucateamento da educação pública, que impede o pleno aprendizado da norma culta. Ademais, logo que é explícita a diversidade cultural brasileira, tornar gírias e vícios linguísticos motivos para chacota, é deprimente. E os atos antes mencionados, devem ser combatidos. Em decorrente disso, movimentos literários como o modernismo buscaram a exaltar “brasilidade” da língua falada, e artistas atuais, como Emicida, continuam propagando essa ideia. “Eu não falo português, eu falo brasileiro”- afirmou o cantor em entrevista.

Em virtude dos fatos mencionados, medidas devem ser tomadas com o intuito de tornar socialmente aceito as diferentes pronuncias e gírias usadas. Com campanhas de conscientização por parte do Ministério da Cultura, tornando cotidiano o acesso à “regionalidades linguísticas” em parceria com artistas que representem uma parte mais marginalizada da população, para que se expanda o conhecimento sobre a diversidade brasileira. Pois segundo Paulo Freire “o dialogo cria base para colaboração”, e esse diálogo deve ser aberto à todos.