Preconceito Linguístico
Enviada em 02/11/2018
Na antiguidade greco-romana, os povos não falantes do latim eram chamados de bárbaros, considerados sem cultura e inferiores. Outrossim, no Brasil, hodiernamente, o preconceito linguístico ainda é operante. Isso ocorre pois a sociedade não difere a língua da gramática normativa, e a população brasileira possui particularidades no que tange ao modo de falar. Além disso, existe uma alta disparidade no grau de escolaridade de cada região.
Em primeira análise, ressaltar a importância da língua porque ela é quem proporciona a comunicação. No entanto, ela possui particularidades nas questões históricas, sociais, culturais, regionais, entre outras. A diferença regional é a mais visível: no Panamá onde se fala tu ao invés de você; no Rio de Janeiro, falam trocando o s pelo x. Essas disparidades determinam as variações linguísticas e têm como base a gramática normativa. Segundo o linguista Marcos Bagno, o preconceito linguístico começa quando o conhecimento dessa gramática é utilizada como instrumento de de distinção e dominação pela população culta, e ainda diz que não existe jeito certo ou errado de se expressar.
Em segunda análise, pode-se dizer que esse tipo de preconceito está, principalmente, intrínseco nas classes mais nobres, dominantes da norma culta, haja vista que um grande influenciador das variantes é o grau de escolaridade de cada indivíduo. E sabe-se que, ainda hoje, a educação não chega no interior semelhante á das capitais. Um exemplo recente de preconceito dessa parcela “elitizada” da população foi em São Paulo, o médico Guilherme Capel, que postou em sua rede social a foto de uma receita médica, em que debochava de um paciente por ele não saber falar “corretamente”. Na imagem dizia: “não existe peleomonia nem raôxis”. Fica clara a língua padrão utilizada como forma de opressão e exclusão.
Torna-se evidente, portanto, que o preconceito linguístico é um problema presente na sociedade e deve ser combatido. Primeiramente, os professores, com o auxílio das escolas, devem propor uma feira de exposição, tendo como tema a variação linguística, com os alunos interpretando o modo de falar de cada região, para que todos conheçam as diversidades da fala. Ademais, urge que o Ministério de Educação, com o apoio da mídia, desconstrua esse conceito de certo ou errado e de uma língua padrão a se seguir. Inserindo no material escolar de Língua Portuguesa, as várias formas de fala como matéria curricular, e a mídia, através das redes sociais, incentivar a diversidade com mensagens de antipreconceito. Tendo acesso a essas variantes o brasileiro torna-se um poliglota da própria língua.