Preconceito Linguístico

Enviada em 03/11/2018

A declaração universal dos direitos humanos de 1948, garante a manutenção do respeito entre povos de uma mesma nação. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se o contrário em questão do preconceito linguístico. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da lacuna educacional e do individualismo.

Em primeiro plano, é preciso atentar para o abismo na formação pedagógica da população na sociedade contemporânea. De acordo com a perspectiva do educador e filósofo brasileiro, Paulo Freire, ’’ se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda’’. Desse modo, tem-se como consequência o julgamento vazio, apenas com intenções pejorativas, uma vez que, os cidadãos brasileiros são produtos da miscigenação, logo, é perceptível que a falta de conhecimento leva a incompreensão de suas origens históricas em comum.

Além disso, o preconceito encontra terra fértil no individualismo. Definido como liquidez da modernidade pelo sociólogo polonês, Zygmunt Bouman, o individualismo tem raízes fortemente ligadas ao período pós-moderno. Em virtude disso, há, como consequência a falta de empatia que nasce do medo do indivíduo de perder seu espaço, ocasionando a formação de uma hierarquia cultural que influi no preconceito, funcionando como um forte empecilho para sua resolução.

Medidas são necessárias para a solução do impasse. Para que isso ocorra o MEC em consonância com o ministério da cultura devem realizar palestras ministradas por especialistas no assunto e debates com jovens nas escolas. Tais palestras devem ser retratadas pelos meios midiáticos com o objetivo de trazer mais lucidez sobre a diversidade cultural. Por fim, é necessário que a sociedade olhe de forma mais otimista para a diferença, pois como constatou Hannah Arendt: ‘‘A pluralidade é a lei da terra’’.