Preconceito Linguístico

Enviada em 15/03/2019

Nos tempos exórdios ao da formação da Grécia Antiga, os filósofos pré-socráticos eram julgados como pessoas de alto poder social, visto que eram dominadores da eloquência e da boa argumentação. Analogamente, em tempos hodiernos, observa-se que a busca pela altiloquência é justificada, em grande parte, pela constante aspiração de poder, a qual fortalece a problemática do preconceito linguístico presente na sociedade, cuja principal consequência é a paralisia dos progressos sociais. Nesse viés, existem fatores que merecem destaque como fomentadores de tal realidade, tais quais: as práticas de superioridade eurocêntricas provenientes do Brasil Colônia e os lapsos na educação pública brasileira.

Em primeira análise, é sabido que os europeus, ao longo da sua chegada nas terras sul- americanas, se autoproclamavam detentores de toda a verdade e emanavam o ideal de superioridade europeia, justificando, muitas vezes, seus preconceitos com tais ideias. Entretanto, tal ideologia não ficou presa na história, mas sobreviveu as gerações e hoje prevalece sob a sociedade em forma de intolerância linguística, visto que tal prática é presente, em muitos casos, contra pessoas de menores níveis sociais e econômicos, o qual justifica a reflexão de Thomas Hobbes de que o homem é o lobo do próprio homem, considerando que tais ações revelam a estagnação dos progressos sociais.

Em segunda instância, somada à tal problemática, constata-se que existe uma elevada deficiência escolar em debates acerca dos tipos de preconceito, justificada, em grande parte, pelo excesso de conteúdos e a alta carga de professores e gestores escolares, os quais deveriam retratar a língua e sotaques como herança nacional, mas terminam por corroborar, indiretamente, com o fortalecimento  das práticas preconceituosas, cujas consequências lesionam o psicológico da vítima e das pessoas que a rodeiam com resultantes irreversíveis.

Mediante a isso, a intervenção estatal é necessária como forma de proteção dos cidadãos de maneira eficaz. Diante de tal necessidade, é imprescindível que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, promova discussões bimestrais acerca das consequências do preconceito linguístico. Isso poderá ser feito com a promoção do contato direto entre alunos e pessoas das diferentes regiões brasileiras, além de historiadores e psicólogos, afim de retratar o valor primordial das vertentes da língua portuguesa nas diferentes áreas do Brasil. Assim, o país poderá viver em “Ordem e Progresso”, como posto na bandeira nacional, e validar a filosofia de Hellen Keller que o resultado mais sublime da educação é a tolerância.