Preconceito Linguístico
Enviada em 03/11/2018
No filme O Auto da Compadecida, os personagens nordestinos apresentam uma linguagem regional e social com o intuito de desconstruir o preconceito linguístico que é realidade no Brasil. Nesse bojo, o ensino da escola centrado na gramática e a ridicularização, por parte da mídia, favorecem a problemática.
É relevante abordar, primeiramente, que a escola dando ênfase à Língua Portuguesa como uma unidade acaba por se transformar numa instituição mantedora do preconceito linguístico. Nesse contexto, nota-se que essa questão, sobretudo, é uma forma de controle social, usada pela classe burguesa como meio de segregação, consequentemente, corrobora o pensamento do sociólogo Pierre Bourdieu de que as escolas reproduzem a ideologia de um grupo social em detrimento do outro. É inaceitável, portanto, que, em um país democrático, o Estado não assegure as manifestações linguísticas e, infelizmente, permita a marginalização dos seus falantes.
Ademais, muitas vezes a mídia usa a linguagem como ferramenta de ridicularização dos falantes não adeptos à gramática. Como exemplo, programas os quais veiculam a fala nordestina com personagens economicamente instáveis e socialmente não aceitos, o que contribui para a cristalização do preconceito linguístico. Todavia, é contraditório que ainda exista, no Brasil, nação signatária da Declaração Universal dos Direitos Humanos, julgamentos dos cidadãos pela forma como se expressam.
Fica claro, dessa forma, que o desprezo à variação linguística é uma afronta absurda a direitos fundamentais. Portanto, as instituições escolares devem promover a valorização das diversas formas de se expressar, por meio do debate sobre as variantes, suas situações de uso e contribuição para a formação de nossa sociedade, como na arte, na música, em diferentes áreas desse país. Espera-se, com isso, a construção de uma sociedade menos preconceituosa e mais rica culturalmente.