Preconceito Linguístico
Enviada em 03/11/2018
Segundo o linguista Marcos Bagno na obra: “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz”, não há uma forma certa ou errada de falar, mas sim, sotaques, dialetos e gírias diferentes em cada região do país. Neste sentido, torna-se evidente que o preconceito linguístico não é uma invenção atual. No cenário sociocultural brasileiro, a superioridade política e econômica de alguns grupos sobre outros, não só influenciou a forma como determinada região desenvolveu-se, mas também, interferiu no modo de falar do povo.
O preconceito linguístico consiste em qualquer atitude que leve uma pessoa a descriminalizar a outra pelo modo como ela fala. Acompanhando as formas de discriminação referentes à língua, percebe-se uma sociedade hierarquizada, onde grupos que estão no topo, dotados de uma supremacia europeia forte e persistente, estabelecem uma distância cultural com as elites que se encontram embaixo, e que, geralmente, são vistas com nível de escolaridade inferior, fator que acaba justificando a exclusão social. Além disso, a gramática normativa e o ensino tradicional repassados nas escolas acabaram, com o avanço das relações sociais, criando um círculo vicioso do preconceito, visto que ele está tão impregnado na sociedade que acaba, muitas vezes, ficando escondido aos olhos do povo. É necessário assim, que essa visão naturalizada do preconceito linguístico seja quebrada, a fim de que a modificação orgânica da língua -que acontece diariamente- seja aceita e reconhecida por todas as classes sociais. É indispensável, portanto, que medidas de cunho abrangente sejam colocadas em prática. As emissoras de televisão, providas de grande influência ao público, devem valorizar, através de novelas e de participações do povo em entrevistas, a cultura de cada região do Brasil, a fim de estreitar as relações sociais e cessar o preconceito. Ademais, o Estado deve criar campanhas que busquem alertar o povo sobre a importância de denunciar tal ato discriminatório, passando a responsabilidade de divulgação para as secretarias de educação, capazes de propagar os conhecimentos em escolas e demais ambientes públicos. Se medidas como essas fossem tomadas, a consciência por parte da população brasileira dar-se-ia de forma mais efetiva.