Preconceito Linguístico
Enviada em 04/11/2018
A língua é um objeto criado, normatizado e institucionalizado para garantir a unidade política de um Estado sob o mote tradicional: “um país, um povo, uma língua”. Em um país como o Brasil, com vasto território e pluralidade sociocultural e regional, a ocorrência de variações linguísticas é um processo natural, mas o preconceito é bastante evidente, com a notória denominação do diferente como errado.
Desde o período da colonização, os jesuítas utilizaram-se da “língua geral”, baseada no tupi antigo, para catequizar os índios. Com a expulsão destes, no século XVII, e a proibição do uso de qualquer língua diferente do português, muitas delas foram extintas, tal como a língua geral. A elitização da língua estabelece uma notória hierarquização que ultrapassa os limites culturais e atinge os sociais, levando à ridicularização de modos de expressão dos considerados “inferiores”.
A variedade de expressões e sotaques existentes é fruto das adaptações -conforme o modo de vida, faixa etária e contexto histórico dos grupos - e por isso devem ser igualmente respeitadas e valorizadas. A língua, para a lexicóloga brasileira Biderman, é responsável por transmitir a herança cultural de um povo que carrega aspectos de vida, das crenças e valores de uma sociedade.
O papel da sociedade é essencial para a difusão do princípio de que o português brasileiro não é único, mas formado por suas inúmeras variantes. Para isso, as instituições de ensino possuem importante papel - sobre apoio de iniciativas do Ministério da Educação - a partir de práticas pedagógicas democráticas, não reprimindo diferentes modos de expressar-se verbalmente nas salas de aula e apresentando os diferentes dialetos existentes no território nacional pela disciplina obrigatória de Língua Portuguesa. Com isso, demonstrar-se-á a prioridade - inicialmente - do aprendizado da própria língua.