Preconceito Linguístico
Enviada em 28/11/2018
Até a Revolução de 1930, o Brasil vivia uma “economia de arquipélago”, na qual a baixa interação econômica, e social, entre os estados favorecia o surgimento dos mais variados sotaques e regionalismos. Além disso, a grande miscigenação idiomática entre indígenas e europeus foi essencial neste processo. Entretanto, na contemporaneidade, o Brasil vive uma contradição quanto a esse panorama, levando a discriminação linguística, sendo este, um catalisador para um impasse ainda maior.
Destarte, a elitização dos falantes da norma culta da língua portuguesa exclui seus dissidentes. Tal cenário é retratado, de maneira satírica, com o personagem Cebolinha, criado em 1960, pelo escritor Maurício de Souza, que enfrenta várias situações adversas por não falar corretamente. Apesar de cômica nos gibis, esta acaba sendo a realidade de uma grande parcela da sociedade brasileira, que, por não seguir a demanda linguística imposta, acaba sofrendo discriminações, levando a um impasse ainda maior.
Assim, por apresentar características idiomáticas próprias, o indivíduo é privado de diversas oportunidades, gerando uma ampla, e visível, segregação social. Isto torna-se evidente, pois, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa média de escolaridade no país é de 8 anos, um tempo baixo para que a população atinja as demandas linguísticas impostas. Deste modo, devido ao seu método coloquial de comunicação, o indivíduo enfrenta dificuldades em conseguir um bom emprego, ou até mesmo de se relacionar socialmente, portanto, medidas imperativas são urgentes.
Desta forma, de acordo com o livro “Preconceito linguístico: o que é, e como se faz”, de Marcos Bagno, é evidenciada a ideia de que não existe uma maneira correta de falar português. No entanto, para que estes ideais saiam de uma utopia, é necessário convocar o Poder Legislativo e o Ministério da Educação (MEC), na elaboração de uma lei que reformule a grade curricular idiomática. Esta reforma, portanto, deve acrescentar as literaturas regionais como obrigatórias até o ensino médio, para que as variâncias linguísticas sejam naturalmente inseridas, e aceitas, em toda a sociedade. Somente assim, o preconceito linguístico irá cessar, e a população, involuntariamente, se tornará plurilíngue em seu próprio idioma.