Preconceito Linguístico
Enviada em 30/11/2018
A Constituição Brasileira de 1988, garante a igualdade e respeito a todas as variantes linguísticas. No entanto, o preconceito tem se instalado na sociedade. Isso se evidencia não só na negligência da escola no ensino das demais formas comunicativas, como também na segregação social com um dos requisitos, a língua.
Em primeira instância, é importante ressaltar o quão rico é o território brasileiro relacionado a cultura e, principalmente, no fator linguístico. Porém, muitas vezes o setor educacional abre mão de ensinar as variedades e priva-se apenas na gramática normativa. Por conseguinte, a mentalidade dos discentes é doutrinada a uma forma correta e as demais são erradas. Contudo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), afirma que possuem mais de 180 línguas, sendo LIBRAS a segunda oficial em território brasileiro. Mesmo assim, a norma culta continua a ser tratado com a única. Outrossim, o preconceito vai além das salas de aula e atinge todas as camadas populares. De acordo com o livro “Preconceito Linguístico” do escritor Marcos Bagno, as relações sociais são em muitas vezes escolhidas por pré-requisitos, sendo um deles o jeito de dialogar. Prova disso são as inúmeras pessoas que sofrem bullying, violência verbal e definição preconceituosa de caráter, pelo fato de falarem gírias, expressões restritas à sua região e sotaques. Nesse viés, torna-se notória a incompreensão popular sobre as variedades linguísticas. Como dizia Orlando Villas Boas, a cultura do outro deve ser respeitada, além disso entendê-la é fundamental. Logo, o tecido social necessita urgentemente entender que a visão restrita de si não permite enxergar o outro com bom senso.
Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas, a fim de que as leis previstas na Constituição possam ser requeridas e aplicadas. Cabe ao Ministério da Educação promover disciplinas que relatam não só a linguagem formal, mas todas as variantes linguísticas, ademais incluir na grade escolar a segunda língua oficial, LIBRAS, para que os alunos compreendam e respeitem as diferenças. Por fim, a mídia com o seu papel influenciador deve por meio de campanhas publicitárias e ficções engajadas, mostrar a língua das diferentes regiões, a normalidade e o poder enriquecedor quando ocorre a fusão e o respeito a todas elas. Assim, a geração futura não terá os mesmos problemas que a atual.