Preconceito Linguístico

Enviada em 07/02/2019

O poema “No meio do caminho tinha uma pedra” rendeu a Carlos Drummond de Andrade uma série de críticas e ofensas por parte da imprensa, que chegou a alegar que o poeta não sabia escrever e era um mal para juventude. O preconceito linguístico esteve presente em vários períodos da história nacional e se perpetua até os dias de hoje. Julgar, desrespeitar, inferiorizar uma língua ou modo de falar, com base em outra, caracterizam esse preconceito.

A colonização europeia resultou na destruição de inúmeras tribos brasileiras, e com a dizimação dessas,  houve a perda de várias culturas e idiomas. Desde esse episódio até os dias atuais, a linguagem usada pelos nativos sofre com incalculáveis preconceitos. No romance Triste fim de Policarpo Quaresma, o protagonista propõe ao congresso o respeito e a adoção da língua Tupi como a oficial do país, entretanto, o mesmo é ridicularizado e chamado de louco por seus colegas. Mesmo sendo uma obra ficcional, ela retrata uma realidade muito presente  no país: a ideia de superioridade de um idioma sobre outro.

Atualmente, a existência de uma gramática normativa faz com que se  julgue as formas de expressar o idioma com base nela. Entretanto, é necessário entender: mesmo que todos os brasileiros utilizem a língua portuguesa para se comunicar, essa não é de forma alguma unificada. Variações históricas, sociais, regionais,profissionais e etárias influenciam na forma de se expressar o idioma. Por isso, todas essas variantes são inerentes a língua e não podem ser desprezadas ou desqualificadas, mas sim respeitadas e compreendidas.

A gramática normativa, que é ensinada nas escolas, não deve acabar, pois ela é a base do nosso idioma. Porém, cabe ao ministério da educação exigir que as mesmas ensinem as variantes desse idioma, mostrando que essas alterações são inerentes a língua portuguesa e não devem ser inferiorizadas. Assim, as futuras gerações serão mais conscientes e menos preconceituosas.