Preconceito Linguístico

Enviada em 17/02/2019

Durante a primeira fase do modernismo, a valorização da linguagem popular enriqueceu a literatura brasileira. Hoje, no entanto, personagens como o Cascão e o Cebolinha, criados pelo escritor Mauricio de Sousa e falantes de uma variação regional e fonética, provocam humor na tirinha com suas falas. Diante disso, ao sair do mundo das tirinhas, percebe-se que indivíduos falantes de uma variação considerada não formal são frequentemente discriminados, seja pelo preconceito enraizado, seja pela norma culta dominante, sendo muitas vezes excluídos ou calados.

Convém ressaltar, a princípio, que a dominação de uma língua ou variação não é um fenômeno recente. Na historia, durante a partilha da África, muitas línguas nativas foram desrespeitadas e esquecidas. Dessa forma, fica evidente a necessidade dos povos de estabelecer uma língua dominante, o que, por conseguinte, causa discriminação com os indivíduos que não a utilizam em seus diálogos. Assim, muitas variações são massacradas e seus falantes rechaçados da sociedade.       Ademais, o estabelecimento da norma padrão culta como única correta agrava esse impasse. Visto que a língua portuguesa, devido à grande extensão territorial brasileira, possui diversas variantes interligadas a contextos históricos, etários, regionais e sociais, a apresentação do padrão gramatical como padrão torna a língua um fator de exclusão social. Marcos Bagno, mestre em letras e pesquisador, afirma que o conhecimento da gramática normativa tem sido usado como instrumento de dominação e distinção pela população considerada culta. Consoante a esse pensamento, seja a variação social ou regional, seus falantes são discriminados e deixados à margem pela nação tupiniquim.

Fica evidente, portanto, que a utilização da língua como fator de exclusão social deve ser imediatamente contestada. As instituições de ensino, orientadas pelo Ministério da Educação, devem intensificar o uso da literatura infantil, utilizando os personagens supracitados, para combater, desde a tenra idade, os posicionamentos discriminatórios diante das variações linguísticas. Além disso, o Governo pode requerer da mídia que essa ressalta os impactos da discriminação com falantes das variações da língua portuguesa, por meio de campanhas e propagandas, informando, também, que essa é uma forma de preconceito social. Assim, construir-se-á um país tolerante diante da diversidade linguística, onde o preconceito não silenciará nenhum individuo.