Preconceito Linguístico
Enviada em 18/02/2019
O Brasil, no século XIX, tornou-se parte da metrópole portuguesa, com a vinda da família real. O modo de falar culto era considerado pela corte a única maneira correta e condizente com a nobreza, sendo que esse pensamento retrógrado tornou-se herança passada às gerações posteriores. Desse modo, a língua pomposa e normativa insiste como a única coerente nos dias atuais, e variações linguísticas presentes em diversas regiões do país são alvos de preconceitos, ocasionando consequências importantes, como silenciamento e exclusão social de quem a pratica. Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o preconceito para com o modo de falar gera um silenciamento em suas vítimas. Isso se dá porque os ataques contínuos manifestados por aqueles que se consideram detentores da língua correta acarretam consequências de teor psicológico nos afetados, que passam a evitar a comunicação e a expressão de pensamentos e sentimentos. Por conseguinte, essa ausência propicia consequências de caráter político e social, como o não acesso a direitos. Ademais, esse tipo de preconceito contribui para a manutenção da exclusão social, arraigada no Brasil. Isso ocorre pois essa intolerância linguística é mais uma ferramenta para estabelecer distinções de classe presentes no país. Isso posto, quem tem melhores condições de vida utiliza esse tipo de discurso para se diferenciar daqueles que “estão abaixo” e supostamente não falam de maneira correta, sustentando uma superioridade social essencial para auto-afirmação. Portanto, é notória a necessidade de se combater o preconceito linguístico, intrínseco à sociedade brasileira. Para tanto, é importante que o Ministério da Educação revise o conteúdo ensinado em língua portuguesa, acrescentando a variação linguística como tema a ser ensinado e discutido na educação básica, a partir da alteração do Plano Curricular Nacional, de mudanças nos livros didáticos de português e da melhoria da formação de educadores relacionados à disciplina.