Preconceito Linguístico
Enviada em 19/02/2019
Criador da “Turma da Mônica”,o cartunista Maurício de Sousa trouxe aos quadrinhos o personagem Cebolinha que, ao falar, troca o “R” pelo “L”. Fora dos gibis, assim como o personagem, diversos brasileiros têm particularidades na maneira de expressar-se. Todavia, apesar da pluralidade que há a língua portuguesa, muitos indivíduos por não terem domínio da norma padrão acabam sendo submetidos a descriminação social e consequentemente ao preconceito linguístico.
A priori, é importante ressaltar que parte da população acaba sendo marginalizada por não terem domínio das normas gramaticais. Tal problemática, fomentada pela desigualdade socioeconômica faz com que indivíduos tenham dificuldades ao escreverem ou pronunciarem palavras. Dentro desse contexto, de acordo com o linguista e professor Marcos Bagno em seu livro “Preconceito linguístico/ o que é, e como faz “, o domínio da norma culta acaba sendo um instrumento de ascensão social, haja vista que as variedades linguísticas que não são padrão da língua, são consideradas inferiores. Tal Realidade, em consonância com o filósofo Kant fere o Imperativo Categórico como um todo, pois viola a Declaração Universal dos direitos Humanos.
Outrossim, vale destacar, ainda, a diversidade que há a língua portuguesa o quão esta é adaptável e mutável, repleta de gírias e sotaques. Sob essa premissa, o filme “Que horas ela volta?” é um retrato do cotidiano, ao mostrar a persistência da ideia de inferioridade atrelada ao português coloquial e a dialetos como Norte e Nordeste, exibindo o falante da norma culta, tida como única correta, subjugar o falar fora da norma. Nesse sentido, apesar de ser uma ficção o longa não se encontra distante da realidade, como pode ser visto em 2016 quando um médico fez uma publicação em uma rede social fazendo chacota de um paciente por este não saber pronunciar a palavra “pneumonia”.Tal fato, além de demonstrar o preconceito enraizado, gera o pensamento que quem se comunicada fora dos padrões gramaticais está errado.
Portanto, é mister que o Estado tome providências a fim de amenizar o quadro atual. Para conscientização da população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Cultura em conjunto com Secretarias de Educação promova saraus e palestra acerca da importância de reconhecer as diferenças na comunicação, seja por questões sociais, históricas ou regionais, no intuito de enaltecer a riqueza metalinguística brasileira, e assim, formar cidadãos condescendentes uns com os outros. Dessa forma, não será mais tolerável preconceito linguístico e discriminação social, e particularidades na fala assim como do personagem Cebolinha e de muitos outros brasileiros serão respeitadas.