Preconceito Linguístico

Enviada em 27/02/2019

Entende-se o preconceito linguístico como o julgamento depreciativo contra determinada variedade linguística. Por conseguinte. esse contexto reverbera a gravidade dessa problemática e urgem ações efetivas para o combate a essa prática na sociedade brasileira. Visto isso, têm-se como principais desafios o fato de ser uma vertente do preconceito social, bem como a internet como influenciadora do ódio.

Nesse sentido, configuram-se como as maiores vítimas de preconceito linguístico pessoas do interior do país, pobres e menos escolarizados, justamente a parcela da população que já sofre intolerâncias raciais, econômicas e religiosas. Por isso, a sociedade letrada considera a norma culta como padrão a ser falado por todos, esquecendo das demais variedades da língua. Nesse contexto, nota-se o coloquialismo da linguagem usada pela autora Carolina de Jesus e seu histórico como negra e favelada, em que pode perceber o seu passado o sucesso do livro “Quarto de despejo”, a elite o esquece e o joga no lixo, de onde a história de sua vida foi escrita.

Outrossim, percebe-se na internet uma outra variação da língua baseada no uso de alterações e de símbolos para a comunicação. Ma com a magnitude de informações na “web” , a terrível face do internauta é revelada quando observa um erro de ortografia, ratificando o preconceito contra a língua, de forma a utilizar o humor como meio de opressão. Assim sendo, o documentário “o riso dos outros”, mostra comediantes contando que as variações regionais, gírias e erros gráficos são considerados meios fáceis de fazer piada, pois é algo intrínseco do ser debochar do seu diferente.

Diante das razões expendidas, o preconceito linguístico configura-se como um grande prejuízo social e precisa ser combatido. Dessa maneira, é fundamental o Ministério da Educação estimular a publicação de literatura acessível à realidade brasileira, por meio de incentivos fiscais às editoras -as quais devem ser obras amplamente divulgadas-, a fim de não fomentar mais esse preconceito. Ademais, cabe à mídia iniciar o debate acerca das variedades da língua brasileira, por meio de ficções engajadas para jovens -que devem ser disponibilizadas nas redes de “streaming”, como Netflix e Youtube-, a fim de haver a mudança principalmente nos discursos de ódio da internet.