Preconceito Linguístico
Enviada em 01/03/2019
O período colonial, marcado pelo auge do multiculturalismo, destacou-se pela forte e hibridização da língua portuguesa. No entanto, hodiernamente essa variação é banalizada por boa parte da população, haja vista que as diferenças linguísticas são menosprezadas pelo âmbito social. Dessa forma, tal paradigma reflete o cenário desafiador no país, seja pelas inefáveis políticas públicas, seja pelo legado histórico-cultural.
Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser adotada de maneira que, por meio da justiça, a harmonia alcance o meio social. Nesse prisma, é fato que a omissão estatal frente ao combate à intolerância a diversidade da língua rompa com tal equilíbrio. Nesse sentido, é irrefutável que apesar do Brasil ter uma rica variação linguística, a “ditadura da norma culta” imposta pela sociedade inibe tal pluralismo. Em consequência disso tem-se um aumento de uma “xenofobia interna”, seja por pessoas de diferentes regiões, seja por classes econômicas ou gerações.
Outrossim, nota-se ainda que a bagagem preconceituosa do período colonial persistem até hoje, uma vez que a esfera social tenta inibir a mistura das línguas, que posteriormente originou as variações linguísticas no país. Nessa perspectiva, o escritor Carlos Bagno, afirma que tal preconceito baseia-se na crença de uma só língua: a norma culta. Analogamente a isso, é evidente que essa intolerância institucionalizada gera um isolamento social, bem como a propagação do discurso de ódio, seja no meio virtual ou real, como é o caso da repulsa dos nordestinos pelos sulistas.
Torna-se evidente, portanto, que há obstáculos para mitigar o anti-hibridismo linguístico no país. Destarte, o Governo Federal, junto ao Ministério da Educação, por meio de projetos de leis e pedagógicos, deve elaborar diretrizes que penaliza e aqueles que incentivam o ódio no corpo social, bem como torne obrigatório como componente curricular a temática da variação da língua da língua portuguesa, no fito de amenizar tal intolerância. Ademais, as escolas, em harmonia com a mídia, podem criar debates e propagandas que constatem os malefícios desses atos intolerantes, no intuito de gerarem cidadãos mais morais e conscientes.