Preconceito Linguístico

Enviada em 07/03/2019

No Brasil colônia, a chamada língua geral, criada pelos jesuítas com a mistura da língua portuguesa com o tupi, era a língua mais empregada, e, somente no século XVIII, com a expulsão de seus criadores do país, o português se tornou a língua oficial. Três séculos depois, a questão da língua persiste, mas, desta vez, como fator de segregação.

Objeto de normatização política, aspecto este instituído por lei, a língua é uma forma de controle social para garantir a unidade nacional. Entretanto, quaisquer país possui um sistema linguístico que é sujeito a diferenciações, como a regional. Um exemplo é o Brasil, que, possuindo uma das maiores extensões territoriais do planeta, dispõe de dezenas de variações linguísticas, sendo, a maioria, reprimida por haver uma língua padrão.

Além disso, o importante sociólogo e escritor francês, Pierre Bourdieu, argumentava sobre o tema criticando haver uma língua legítima, no sentido de amparada pela lei e reconhecida pela comunidade. Uma amostra, é o extermínio das heranças biográficas feitas pelas instituições de ensino ao classificar a língua como certa ou errada. Outrossim, é a ideologia de exclusão que, com a forte influência da mídia, cria perfis equivocados de regiões, como o nordeste brasileiro que é frequentemente associado a miséria e ao analfabetismo.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para que a avaliação do certo e errado na linguagem tenha fim, é crucial que o MEC forneça melhor instrução aos professores através da instauração de uma matéria na grade curricular que visa a valorização das heranças biográficas da língua. Ademais, é preciso que a mídia divulgue a mensagem de que o país possui um sistema linguístico rico graças as suas diferenciações para conscientizar a nação de que a gramática normativa é apenas uma parte da língua e não sua totalidade. Outras medidas devem ser tomada, mas, como disse Oscar Wilde: “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação”.