Preconceito Linguístico

Enviada em 10/03/2019

O preconceito linguístico consiste na discriminação no modo como as pessoas se expressam e tem como efeito as normas culta e gramatical vistas como padrões a serem seguidos. Essa problemática é recorrente no Brasil e tem como causa a educação focada unicamente nas regras gramaticais em detrimento das variações linguísticas do país, além da influência dos meios midiáticos na permanência de tais tabus.

Observa-se o processo de construção da pluralidade cultural brasileira a partir da Colonização. As mesclas socioculturais entre indígenas, portugueses, africanos e europeus propiciaram diversas variações: sotaques, gírias e dialetos são exemplos de diferenciações da língua. Vale ressaltar que o Brasil lida com a desigualdade social e, com o tempo, uma sociedade a qual mínima parcela conhece a norma culta da língua foi formada, além da padronização dessa última como a única correta e mecanismo de ascensão social. Logo, o preconceito, xenofobia, bullying e piadas depreciativas com quem se expressa de maneira que não segue tal norma tornaram-se comuns, a exemplo de programas televisivos que mostravam o Nordestino como alguém rude que “fala errado”, o que causa sua marginalização e exclusão.

Segundo Marcos Bagno, o conhecimento da norma gramatical se tornou um mecanismo de dominação pelos grupos que a detém. É visto que a educação possui um histórico excludente, o mecanismo de ensino focado nas regras da gramática sem proporcionar o devido valor e respeito às variações do Português é crucial para a persistência do preconceito linguístico: se um aluno pronuncia algo que não é considerado correto, ele é prontamente corrigido, ou seja, o que não se encontra na norma, está errado. Problemas de sociabilidade e psicológicos, a exemplo da depressão, são efeitos dessa adversidade, um exemplo disso são os calouros das grandes Universidades, muitos ao saírem dos seios de suas famílias nas regiões interioranas, são surpreendidos com ambientes tóxicos e são menosprezados por falarem de formas diferentes do padrão dos centros urbanos.

Em virtude dos aspectos analisados, é necessário, portanto que medidas sejam tomadas para a resolução do impasse do preconceito linguístico. Cabe ao Poder Executivo junto à mídia, por meio de propagandas na televisão e redes sociais, a promoção de campanhas que causem a reflexão na sociedade sobre tal problema e mostrem os respectivos impactos nas relações sociais. Compete ao Ministério da Educação, por meio de uma reforma educacional, a promoção de um ensino nas Escolas e Universidades que vise a construção de uma visão crítica dos estudantes sobre a Língua Portuguesa junto ao conhecimento e respeito de suas variantes, além de palestras e debates sobre o assunto.