Preconceito Linguístico
Enviada em 10/03/2019
“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.” Albert Einstein, já em sua época, parecia prever uma informação importante: a dificuldade das pessoas em aceitar as diferenças alheias. Na atual conjuntura, esse fenômeno não é diferente, uma vez que as variações linguísticas existentes no Brasil são discriminadas, o que representa, assim, um desafio a ser enfrentado. Logo, é necessário avaliar as causas desse cenário, que prejudicam as relações sociais, para então, solucioná-las.
De início, cabe salientar que o preconceito linguístico é transmitido de geração a geração. Segundo, Émile Durkheim, o fato social refere-se à forma de agir, pensar e sentir, que se generalizam em todos os membros de uma sociedade. Observa-se que essa intolerância pode ser encaixada na teoria do sociólogo, visto que no Período Colonial, quando a lingua portuguesa tornou-se a língua oficial e padrão do país, esse processo de seleção implicou na exclusão das demais formas faladas -como o tupi-guarani e o idioma africano- o que os tornaram objetos de repressão. Por conseguinte, mesmo após 500 anos desse ocorrido, a discriminação social por meio da linguagem é vigente em pleno século XXI, através da ridicularização das gírias, dos vocabulários e sotaques regionais, mormente da região Nordeste. Dessa forma, a dominação política pela lingua consolida as hostilidades na sociedade.
É notório, ainda, que a intolerância linguística está presente nas instituições sociais, especialmente no meio escolar. Consoante Foucault, o conceito de “micropoder” evidencia a ideia de que o poder não se encontra apenas em grandes instituições, como o Estado, mas também fragmentado nas mãos de cada indivíduos. Assim, as classes dominantes -detentoras da norma culta e de maiores poderes aquisitivos- criam parâmetros coercitivos, a fim de perpetuar a sua influência. Posto isto, a concepção de que a norma culta é a única forma correta da língua está contida nesses padrões e ocasiona o não reconhecimento da heterogeneidade do português falado. Destarte, a imposição da norma padrão nas escola, como se ela fosse comum a todos os brasileiro, sem considerar os valores históricos de cada indivíduo, corrobora a sua segregação social e a marginalização da diversidade do português falado.
Fica claro, portanto, que o preconceito linguístico requer ações efetivas para ser combatido. Nesse sentido, o Governo Federal deve promover projetos de inclusão da língua nas escolas, por meio do Ministério da Educação, com o reconhecimento das variações linguísticas como prática da cultura nacional, além de usar as aulas de história para fomentar debates sobre a origem dos diversos modos de falas brasileiro e valorizar a linguagem coloquial, através da divulgação de livros, como os da literatura de cordel. Espera-se com isso, democratizar as relações linguísticas da sociedade e minimizar a discriminação.