Preconceito Linguístico

Enviada em 26/03/2019

Muito se discute acerca da desvalorização do patrimônio cultural no Brasil. Essa controvérsia torna-se mais relevante quando se expõe ao preconceito linguístico presente na sociedade, ao afirmar ‘’não troco meu ‘oxente’ pelo ‘ok’’’, Ariano Suassuna ressalta o perigo da americanização como influência que põe em risco as tradições regionais da oralidade brasileira. A intolerância linguística, portanto, é consequência do influxo ocidental e midiático sobre o coletivo.

Essa problemática de caráter social, remonta o fato histórico do patrimônio oral brasileiro, desde os tempos da colonização portuguesa, progressivamente é agredido, principalmente em relação a desvalorização das tradições linguísticas indígenas. Tal fator corrobora a noção do ‘‘Fato Social’’, teoria defendida pelo sociólogo Émile Durkhiem, que aborda a ação de ‘’exterioridade’’ e ‘‘generalidade’’ do indivíduo influenciado, condição nociva à valorização da diversidade e da identidade brasileira.

Somado a isso, o coeficiente das práticas mercantis e imperialistas, típicas da globalização, são causa da construção do preconceito linguístico. A língua Tupi-guarani, por exemplo, é um mecanismo, que fez parte da construção da identidade do Brasil, praticamente extinto e que não faz parte da formação educacional do brasileiro. Diante de tais argumentos, a discussão da desvalorização do patrimônio oral na sociedade persiste.

Com o intuito de sanar a intolerância da oralidade, é adequado que sejam realizadas ações educacionais na sociedade. Essa finalidade pode ser obtida por meio do Ministério da Educação em parceria com o terceiro setor, promovendo campanhas (lúdicas e conscientizadoras), nas aulas de Língua Portuguesa e Ciências Humanas, expondo todas as variantes linguísticas presentes na diversidade da oratória brasileira. Dessa forma, o preconceito linguístico não será mais um obstáculo