Preconceito Linguístico
Enviada em 23/03/2019
A República Federativa do Brasil constitui-se em um Estado Democrático de Direito, e tem objetivo fundamental promover o bem-estar de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, e quaisquer outras formas de descriminação. Entretanto, o preconceito linguístico resultante da realização de comparações inadequadas entre um modelo idealizado da língua falada com a maneira como as pessoas realmente se comunicam, põe em risco a aplicabilidade desse princípio. Com efeito, é contraditório que o poder público permaneça indiferente à fragilização dos direitos da sociedade civil.
Antes de tudo, é preciso perceber que o preconceito linguístico é um problema que tem origem histórica. A esse respeito, a decadência da economia açucareira no Nordeste e a ascensão da economia cafeeira no Sudeste mudou não só o eixo econômico, mas também o monopólio cultural e midiático, criando assim um novo paradigma naquela época. Embora, date séculos anteriores, esse período da história ainda provoca reflexos negativos na sociedade, uma vez que as regiões mais pobres como o Norte e sobretudo Nordeste ainda são julgadas como atrasadas intelectualmente e inferiorizadas culturalmente pelas regiões mais ricas. Logo, a discriminação linguística nada mais é do que uma construção imposta por uma elite intelectual e econômica que considera inaceitável tudo que não faça parte desse modelo.
Somando a isso, o preconceito linguístico está atrelado também a desigualdade social. Haja vista, que pessoas com baixo poder aquisitivo tem um acesso limitado à educação e cultura, geralmente, dominam apenas as variedades linguísticas mais informais e de menor prestígio. Assim, não é raro um indivíduo ser excluído em uma entrevista de emprego, por se utilizar de uma variedade informal da língua, já que a mesma estaria estereotipada a um baixo nível de qualificação profissional, consequentemente, muitas pessoas permanecem nos subempregos e com uma péssima remuneração. Desse modo, a intolerância linguística é um dos pilares da manutenção da segregação de classes no Brasil.