Preconceito Linguístico

Enviada em 24/03/2019

Persistência do preconceito linguístico

Desde a antiguidade, a oralidade serve como importante meio de interação social. Dessa maneira, então, a composição do corpo sociável brasileiro ocorreu por intervenção das convergências miscigenadas culturalmente, oriundas, principalmente, não só dos imigrantes e colonizadores europeus, como também dos negros africanos e povos indígenas já presentes no país. Com isso, a língua portuguesa mesclou-se à patuás nativos, na qual tornou-se um poliglotismo nacional, não obstante, apesar do seu exórdio pecunioso em diversidade, existe um descaso em relação às variações linguísticas, como sotaques e dialetos regionais, que fogem dos padrões sociais do idioma.

Nesse contexto, a priori, um dos dilemas que percorre a sociedade brasileira, prudente por perpetuar preconceitos morfológicos, é a concepção errônea de unificar a língua portuguesa. Sob esse viés, o autor modernista, Oswald de Andrade, na obra Pronominais, afirma que o fundamental na oralidade é a interpretação e realiza uma crítica à gramática contemporânea. Logo, destarte, aqueles que não são aptos à norma padrão, geralmente classes menos favorecidas, passam pela repressão da parte dominante do corpo social, consequentemente, não são sucessíveis à socialização, que é fundamental para o desenvolvimento psicossocial.

Além disso, posteriormente, constata-se que o idioma se modifica de acordo com o ambiente existente. Consonante a isso, o biólogo Charles Darwin, formulou a teoria da seleção natural, na qual as espécies de transformam-se com o tempo e influência do globo. Desse modo, unânime aos parâmetros de expressões, a heterogeneidade cultural acarreta diretamente, em cenários que possuem uma baixa escolaridade e instrução educacional, a marginalização de vocabulares vistos com inferioridade, como gírias e pronúncias, perpetuando o preconceito xenofóbico nos paradigmas da sociedade.

Diante do exposto, sabe-se que a sociedade atual, acelerada e sintética, ainda apresenta estrovos que necessitam de uma solução. Para a conscientização da população brasileira a respeito dos impasses, urge que o Ministério da Educação, avance na criação de programas e ações pontuais, como palestras, a fim de uma melhora sobre o problema linguístico. Ademais, cabe à mídia, usufruir do seu poder persuasivo para determinar a valorização das variações linguísticas, por intermédio de campanhas e comerciais, para possibilitar a importância das formas culturais. Somente assim, poder-se-á reverter um globo análogo a falhas, em que há insatisfação perante o problema, que, narrado por Oscar Wilde em seu posicionamento governamental, é o primeiro passo para o progresso de uma nação.