Preconceito Linguístico
Enviada em 03/04/2019
Dos romances de Álvares de Azevedo às fábulas de Monteiro Lobato, dos sonetos de Machado de Assis às rimas do rapper Gabriel, o Pensador. Por mais notórias que sejam as diferenças, desde o uso de gírias até o de palavras cultas, é utilizado o mesmo idioma e mostram exatamente o que é o Brasil: pluralidade. Contudo, a intolerância ao diferente e exigir que os habitantes de diferentes áreas falem igual, reprimi a cultura brasileira, fato que acontece desde a época da colonização.
Primeiramente, Ariano Suassuna em sua frase “Não troco meu “oxente” pelo “ok” de ninguém”, deixa claro a variedade e sua insatisfação em deixar de lado a sua cultura novamente. Afinal, o Brasil foi um país colonizado, e seus nativos foram forçados a aprender as línguas e os costumes dos outros povos, e como cantado pela banda Selvagens à Procura da lei, na música “Brasileiro” não é a história dos indígenas que está nos livros das escolas brasileiras. Além disso, a obra ABC do Sertão de Luiz Gonzaga, mostra o quão difícil é para as crianças do nordeste se adaptarem ao alfabeto ensinado na escola que, por sua vez, é diferente ao que elas estão acostumadas a usar no dia a dia. Tendo em vista que os moradores do nordeste, que são falantes da mesma língua, sentiram essa dificuldade, pressupõe-se que quem é falante de um idioma e cultura diferente teve ainda mais.
Ademais, é sabido que o grupo dominante quer determinar o que é certo e errado, seja na língua ou em outros fatores. Isso fica claro, quando, em Turma da Mônica, um desenho infantil, o personagem Cebolinha sofre implicância dos demais colegas por trocar a letra “r” por “l”. Muitas crianças, ou até mesmo adultos, sem perceber, cometem o mesmo preconceito ao rir dele. Esse problema, popularmente conhecido como língua presa, é realidade para numerosas pessoas que podem se sentir ofendidas com os comentários maldosos feitos. Por isso, os jovens têm crescido com essa intolerância enraizada ao divergente.
Dessarte, fica evidente que o preconceito linguístico se faz presente na realidade brasileira. Portanto, faz-se necessário que Ministério da Educação (MEC) juntamente às escolas, trabalhem para fazer com que os alunos compreendam a importância do aprendizado da norma culta, mas que também conheçam e respeitem suas variedades. Para isso, é necessário explicar que a linguagem padrão é ensinada em todas as escolas do país para que não se ocorra uma confusão e a língua portuguesa não se torne outras línguas independentes, mesmo o local pertencendo ao Brasil. Assim, com essa compreensão que o certo e errado é relativo, os estudantes, ou seja, o futuro do país, conhecerão a sua real língua: o português variado brasileiro.