Preconceito Linguístico
Enviada em 28/03/2019
As problemáticas que envolvem o preconceito linguístico são, até para os olhos menos atentos, umas das maiores adversidades da atual sociedade. Com a chegada dos portugueses em território brasileiro, começou a haver uma disseminação de culturas e línguas variadas, de modo que, atualmente, o Brasil apresenta uma diversidade cultural muito ampla, seja pelo seu modelo de colonização, seja por sua extensão territorial. Nessa dinâmica, cabe a análise de duas direções: a falta de preparação das escolas para receberem os alunos de diferentes regiões e as consequências individuais que essa exclusão linguística causa.
Ao partir dessa realidade, a má preparação das instituições escolares brasileiras corrobora de maneira significativa para a problemática. Sendo a língua considerada a identidade de um povo e de sua nação, é de vital importância que essa seja usada a favor da população, e não como elemento diferenciador. Contudo, nas escolas do país é ensinada somente a gramática normativa, sem mostrar as crianças e adolescentes ali presentes as variações que a língua portuguesa apresenta, de modo que esses não aprendem a aceitar pessoas que se comunicam de uma forma diferente a mostrada na escola, de forma a levar ao bullying e a exclusão social do indivíduo, por exemplo. Essa realidade já foi enunciada pelo filósofo Marcos Bagno em seu livro, onde afirmou que esse preconceito deriva da construção de um padrão imposto por uma elite econômica e intelectual que considera como “erro” e, consequentemente, reprovável tudo que se diferencie desse modelo.
No mesmo viés, está as consequências individuais da exclusão linguística. Quando o indivíduo se comunica em um meio social e sua maneira de falar é criticada, a comunicação torna-se prejudicada e esse, por sua vez, se excluí da sociedade e passa a se comunicar somente com aqueles que falam da mesma forma que ele. Por ainda parecer um assunto de pouca importância na contemporaneidade, a falta de visibilidade a esses indivíduos prejudicados por essa problemática aumenta exponencialmente o problema, e bullying, como já foi enunciado, depressão e até mesmo suicídio, por exemplo são as consequências dessa desatenção e da falta de informações a cerca das diferenças da língua.
Logo, cabe ao Ministério da Educação, por meio de palestras em escolas e comunidades, alertar á todos os brasileiros a cerca das variações linguísticas presentes no território, de forma a mostrar que ter um modo de falar diferente do outro não é um erro gramatical e nem motivo de exclusão, mas sim uma variante da língua a qual todos os brasileiros pertencem e que deve ser respeitada. Desse modo, cria-se um país menos excludente e mais acolhedor a todos que aqui residem, de forma a lembrar que todos pertencem a uma mesma nação brasileira.