Preconceito Linguístico

Enviada em 10/08/2019

Ainda no século XX, o escritor modernista Oswald de Andrade, com seu poema “Vício da fala”, revelava as variantes linguísticas no Brasil. Hodiernamente, apesar de a língua portuguesa possuir uma norma padrão considerada parâmetro para as demais, existe muita pluralidade na qual a língua se adapta ao tempo, a região geográfica e as classes sociais. Entretanto, a diversidade vai de encontro com obstáculos como o preconceito por existir no país uma espécie de etnocentrismo linguístico.

Sabe-se que a variedade linguística decorre da acomodação ao seu contexto, sendo histórica, regional, social ou de estilo. Desinente disso, o preconceito se forma. Observa-se, por exemplo, uma discriminação particular ao sotaque nordestino, por vezes taxado de inferior e ignorante por não seguir o padrão. Foi o caso do ex-presidente Lula, nordestino, que em 2011 foi acusado de “trucidar” a língua portuguesa , pois, segundo a manchete da revista Veja “nunca leu um livro nem sabe escrever”.

Ademais, convém ressaltar, desde a colonização portuguesa, os dialetos que fugiam da “forma correta” eram relacionados à pobreza e a falta de estudos. Dentre as consequências disso, há uma evidência da desigualdade social, marcada também pela fala. Isso porque a utilização da norma culta está associada à ascensão social, já que ela é vista como critério da intelectualidade. Sobre isso, o linguista Marcos Bagno afirma que o português foi transformado numa “ciência esotérica”, que somente os “iluminados” - gramáticos tradicionalistas - atingem o domínio.

Fica claro, portanto, que todas as nuances do português devem ser respeitadas e contempladas. Sendo assim, é dever do Ministério da Educação promover campanhas nas escolas, que enalteçam a multiplicidade dentro da língua portuguesa. Por intermédio da inserção do estudo de todas as formas do português. Então, a sociedade, do mesmo modo que Oswald de Andrade, entenderá a problemática como elemento de exclusão social, que precisa mudar.