Preconceito Linguístico
Enviada em 02/04/2019
Dentro de uma lógica de hierarquização de culturas, cultivada principalmente pelos povos colonizadores, os portugueses tinham como pretensão impor seus costumes aos nativos, incluindo o aprendizado da língua portuguesa. Todavia, não se restringe apenas ao período colonial, tal hierarquia é imposta nos dias atuais, uma vez que há desrespeito à diversidade linguística existente no país a favor da gramática normativa. Diante do exposto, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.
Primeiramente, de acordo com Marcos Bagno, escritor do livro “Preconceito Linguístico”, o preconceito consiste em juízo de valor negativo acerca de variedades linguísticas de menor prestígio social. Ademais, o conhecimento da norma padrão é utilizado como instrumento de distinção e de dominação pela população culta. Quanto a essa questão, é notório que a intolerância linguística está vinculada à segregação social, o que agrava a rejeição às variantes.
Vale ressaltar, também, que a discriminação com base no modo de falar dos indivíduos é encarada com muita naturalidade na sociedade brasileira. Certamente, o preconceito na língua faz com que os cidadãos se sintam humilhados ou intimidados com a possibilidade de cometer um “erro” de português, como se o fato de saber a gramática normativa gerasse algum tipo de superioridade. Porquanto, a norma padrão deve ser estudada, internalizada e usada, mas a variante precisa ser entendida, aceita e não ser vista de forma preconceituosa.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver a problemática. Dessa forma, é necessário que o Ministério da Educação invista em políticas educacionais, por meio da criação de campanhas e palestras que visem a compreensão das variantes, a fim de que as pessoas respeitem a diversidade sociocultural do país. Além disso, a mídia deve garantir o respeito às classes mais baixas, por intermédio da criação de séries e novelas que desconstruam visões estereotipadas sobre a fala regional, para que esse grupo tenha sua dignidade humana preservada.