Preconceito Linguístico
Enviada em 11/04/2019
Segundo o pensador Paulo Francis: “A ignorância é a multinacional do mundo”. Nesse sentido, de maneira análoga aos ideais do autor, observa-se o preconceito linguístico de forma arraigada nos brasileiros decorrente da falta de conhecimento a despeito do contexto histórico e cultural do país. Ademais, tal postura tem causando graves efeitos à sociedade, principalmente na contemporaneidade. Sendo assim, torna-se indubitável discutir os fatores capazes de valorizar esses aspectos além dos efeitos causados pelo preconceito linguístico a esses povos.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que mediante a história do Brasil, desde o período pré-colonial, percebe-se um país com enorme diversidade, a qual abrange desde a natureza até as variantes ligadas ao aspecto sociocultural, como a cultura indígena. Concomitante a isso, a variação linguística, que representa a peculiaridade dos diversos povos que constituem à sociedade brasileira, também é um elo fundamental nesse processo, pois pertence ao patrimônio histórico do país. Prova disso, são os projetos realizados pelas universidades, como a Universidade de Caxias do Sul (UCS), que teve por intuito resgatar marcas regionais, como forma de incentivar a preservação linguística e cultural.
Todavia, as consequências da prática do preconceito linguístico causam efeitos desastrosos à sociedade. Desse modo, constata-se a exclusão social de indivíduos que apresentem marcas de oralidade, inclusive em âmbito escolar, mesmo essa sendo uma característica da região que tais pessoas vivem ou de outros aspectos do seu cotidiano. Em contrapartida, segundo o linguista Marco Bagno: “não existe certo ou errado”, reforçando que a língua possui uma vasta diversidade, sendo a norma culta responsável por um parcela de sua constituição. Contudo, a valorização de tais marcas, que identificam os povos em seu contexto regional, ocupacional e sociocultural, devem ser trabalhadas e vistas como fatores apreciativos de uma nação cheia de riquezas.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para extinguir o preconceito linguístico e seus efeitos na sociedade brasileira. Para isso, o Ministério da Educação (MEC) deve inserir nas escolas públicas programas que visem a valorização das variantes linguísticas, por meio de oficinas e peças de teatro, direcionada por professores, possibilitando aos alunos conhecerem a diversidade sociocultural que permeia o país. Além disso, em conjunto ao programa mencionado, que rodas de conversa sejam realizadas, por profissionais qualificados, com o intuito de abordar questões sociais envolvendo o preconceito e os danos causados em decorrência desse ato. Somente assim a sociedade concretizará um processo de sensibilização eficiente, capaz de eliminar a “ignorância cultural” dos brasileiros, promovendo maior socialização entre os indivíduos.