Preconceito Linguístico

Enviada em 11/04/2019

No livro “A hora da estrela”, a personagem Macabéa, de origem nordestina, migra para a Região Sudeste em busca de melhores condições de vida, e, por diversas vezes, sofre preconceito pela variação regional de sua fala. Fora da ficção, é sensível a permanência do preconceito linguístico em nosso país. Dentre os fatores causadores dessa problemática, estão: a  concepção de “linguagem formal” como único meio adequado para se estabelecer a comunicação e a dificuldade dos indivíduos na aceitação das diferenças entre sí.

Primeiramente, é necessário ressaltar que “a língua é como um elástico”, ou seja, é “esculpida” ao longo do tempo e assume diferentes variações à medida que é utilizada por seus falantes. Segundo o gramático Evanildo Bechara, “um bom falante é ‘poliglota’ em sua própria língua”. Compreende-se, portanto, que, de acordo com a situação e seu grau de formalidade, a adequação vocabular se faz necessária, uma vez que a comunicação, de forma eficiente, é o principal objetivo de qualquer processo comunicativo.

Ainda sob essa perspectiva, a dificuldade dos indivíduos em lidar com as diferenças se torna um empecilho na construção de uma nação menos preconceituosa. Para Nelson Mandela, a educação é o melhor caminho para mudar o mundo. Nesse sentido, em um ambiente onde os homens não são ensinadas a respeitarem seus dissemelhantes, a tendência é que  os ataquem, por acreditarem na perpetuação de tal comportamento, caso a situação seja inversa.

Diante do exposto, cabe às escolas a promoção da desmistificação da existência de uma única forma adequada para estabelecer a comunicação, através da utilização de materiais didáticos que esclareçam o conceito de “adequação vocabular”. Ademais, a criação de campanhas e palestras que conscientizem a população quanto a problematização com as diferenças. Só assim, é possível evitar que outros, assim como Macabéa, sofram preconceito, simplesmente, por serem diferentes dos demais, ao redor.