Preconceito Linguístico
Enviada em 05/07/2019
A formação do Brasil se deu por um processo de imposição da cultura e da língua portuguesa sobre os demais povos na tentativa de anulá-los. Entretanto, hoje se sabe que esse processo de anulação não ocorreu como previsto, isto é, houve a mistura da língua portuguesa com várias outras, dando origem ao português brasileiro, que por sua vez, não é homogêneo. A partir dessa não similaridade língua, desenvolveu-se no país a ideia de certo e errado quanto ao modo de se comunicar e com ela o preconceito linguístico.
Durante a primeira metade do século XX, acreditava-se que quando uma cultura “mais desenvolvida” entrava em contato com outra “menos desenvolvida”, a primeira subjugaria a segunda, extinguindo todos seus traços. Com esse pensamento, a elite brasileira, sempre se espelhando na cultura europeia, convencionaram a ideia de correto e incorreto do modo da língua falada da população. Isso ocorreu, devido à importância da língua para a manutenção do poder, pois é através dela que se expressa ideias e opiniões, um exemplo disso, era a valorização da língua francesa no Brasil, sendo que as pessoas que falavam tal língua eram respeitadas e incluídas na sociedade. Dessa maneira, a língua é agente de poder político, econômico e social, como afirma o linguista Paul Kroskrity, ela representa o interesse de certos grupos sociais, sendo múltipla, por isso necessita ser padronizada, e é mediadora das estruturas sociais, ou seja, ela não é neutra ou não ideológica.
Ademais, pode-se observar os impactos causados pela imposição e padronização da língua falada, como o preconceito sócio-cultural que acarreta a exclusão, de grande parte da população brasileira, dos ambientes universitários, cargos de alto nível em empresas e nas instituições públicas. Por outro lado, ocorre a periferização, a violência física e psicológica e a exploração dessa população, como se nota, em muitas cidades brasileiras, tanto do interior quanto nas capitais.
Portanto, é de grande importância que seja tomadas medidas para a erradicação da discriminação linguística no Brasil. Em primeiro lugar, é necessário que o Ministério da Educação desenvolva, por meio de projetos e disciplinas que dialogam com a sociologia, formas de superação da exclusão social e econômica, para que os estudantes e a população possam refletir sobre seus direitos como cidadãos. Ademais, é fundamental que as instituições publicas sejam ocupadas por novos atores sociais como pobres, negros, mulheres para que assim, o agente de poder,como a língua, seja plural, dessa forma fortalecendo a democracia brasileira. À vista disso, como afirma o filósofo francês Voltaire,“o preconceito é a opinião sem conhecimento”, e o Brasil somente com o conhecimento superará essa realidade.