Preconceito Linguístico

Enviada em 14/04/2019

Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948, e baseada na filosofia Iluminista, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante o direito à sociedade de livre expressão das variantes linguísticas. Conquanto, de maneira análoga, no Brasil essa onerosidade é contraposta, haja vista que a realidade vigente é permeada por construções sociais segregantes e de caráter atemporal. Destarte, evidencia-se a necessidade de subterfúgios à homeostase social, a fim de atenuar essa inercial problemática.

Faz-se mister, ainda, salientar a constante metamorfose da língua em detrimento dos prejulgamentos negativos, no contexto da esfera social, como impulsionador desse preconceito hodierno. Consoante ao filósofo moderno Hegel, o fenômeno denominado de ´´status quo´´, consiste no pensamento social comum, premissa que remete à naturalização de algo, nesse caso, de linguagens consideradas superiores, como ideal para a sociedade. Infere-se, por conseguinte, a refratária aceitação de modelos novos de variantes linguísticas, pelo fato da população possuir, de forma intrínseca, aversões esteriotipadas.

Outrossim, desde a Grécia Clássica - os sofistas - eram considerados ´´Mestres da Oratória´´, à medida que os mesmos utilizava normas linguísticas padrões e idealizadas, minimizando e subjugando os demais que não aderirem esse modelo, comprometendo, de forma direta, a participação isonômica dos indivíduos no que tange à política e à conjuntura social como um todo. Sob outro prisma, o contexto brasileiro atual assemelha-se aos fatos supracitados, haja vista que as minorias não possuem a total visibilidade e credibilidade que deveriam ter por direito, em decorrência, dentre outros fatores, da diversidade da modalidade oral e suas variáveis. Portanto, faz-se necessário a erradicação dessas violências simbólicas no contexto contemporâneo.

Sendo assim, é imperioso que o Ministério da Educação, juntamente com o da cultura, atue nas instituições educadoras - Públicas e Privadas - através de palestras, trazendo vítimas coagidas por tal preconceito e abordando as causas e as consequências inerentes a essas atitudes. Além disso, o legislativo deve promulgar uma lei que puna infratores do preconceito linguístico, elaborando, analogamente, canais telefônicos que possuam o papel de denúncia, proporcionando apoio pedagógico e moral às vítimas, a fim de atenuar esses eventos retrógrados, os quais ferem os Direitos Humanos , visibilizando, assim, tais vítimas nas esferas sociais. Dessa forma, o pensamento social comum elaborado por Hegel apresentará uma perspectiva isonômica perante a sociedade e livre de preconceitos .