Preconceito Linguístico
Enviada em 14/04/2019
Em meados do século XVI, durante a colonização, o Brasil tornou-se palco de discriminação e imposição cultural uma vez que colonizadores portugueses, influenciados pelo etnocentrismo europeu, foram responsáveis por categorizar a linguagem indígena como inferior e insignificante. Não obstante, tal realidade inconcebível persiste na sociedade hodierna, visto que as variações da língua são repudiadas por irem de encontro ao padrão gramatical proposto historicamente. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores e efeitos referentes ao preconceito linguístico no País.
É válido, a princípio, analisar os pilares contemporâneos que sustentam essa intolerância cultural. De acordo com a teoria do habitus, concebido pelo sociólogo Pierre Bourdieu, é dever da escola, com a família, realizar a socialização dos indivíduos, em contrapartida, verifica-se a atuação opressiva de certos professores diante do ensino da gramática quando, em tese, deveriam orientar a adequação da fala à situação desejada, estimulando o respeito aos contrastes linguísticos. Dessa forma, o desempenho educacional contraditório, as disparidades inter-regionais e as desigualdades sociais destacam-se como os principais empecilhos para a resolução da problemática.
Vale ressaltar, ainda, as consequências negativas desse comportamento contestável. Segundo o escritor brasileiro Marcos Bagno, “Um ensino gramaticalista gera aversão ao estudo do idioma, medo à expressão livre e autêntica de si mesmo.”, nesse viés, é possível constatar que a rigorosa exigência da norma padrão, somada às implicâncias e chacotas referidas aos falantes coloquialistas podem resultar em um grave panorama de exclusão em meio social e profissional, bem como danos morais à vítima. Dessa maneira, diante da complexidade do problema, medidas governamentais devem ser reavaliadas a fim de resolver o descaso para com a parcela brasileira afetada.
Fica evidente, portanto, a adoção de resolutivas capazes de atenuar o impasse. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com a mídia e centros culturais, promover a instrução adequada do corpo docente, a elaboração de propagandas educativas e a realização do estudo intensivo sobre a importância do multiculturalismo e das variações linguísticas, por meio de debates e teatros, com o intuito de combater ideias pré-estabelecidas sobre as marcas de oralidade informal. Ademais, espera-se que o Ministério da Justiça atue na coibição efetiva de atos discriminatórios, assegurando a garantia constitucional aos cidadãos e a integração da nação em questão.