Preconceito Linguístico

Enviada em 22/04/2019

Promulgada pela Organização das Nações Unidas em 1948, a Declaração dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à educação e ao bem-estar social. Entretanto, devido ao pouco investimento na infraestrutura de escolas públicas tais medidas não estão sendo efetivas, criando-se o terreno ideal para problemática do preconceito linguístico. Dessa maneira, é crucial buscar e combater suas causas, as quais estão vinculadas a reflexos históricos e à disparidade educacional.

A princípio, esse problema tem “raízes” no período pré-colonial brasileiro, no qual os Portugueses impuseram aos nativos nova língua e cultura por se denominarem superiores. Em relação a isso, tal fato evidência-se com a carta do escrivão Pero Vaz de Caminha à coroa portuguesa, na qual relatava um povo que necessitava ser civilizado. Em vista disso, pode-se salientar que os ideais de superioridade foram passados por gerações, influenciando indivíduos nos dias hodiernos a praticarem preconceito com pessoas que não tem escolaridade ou não dominam a norma culta do português. Contudo, consoante o ativista Michel Foucoult, é necessário mostras as pessoas que elas são livres de ideologias errôneas construídas em outros momentos históricos. Nessa perspectiva, é importante a ação de autoridades governamentais, buscando mostrar a diversidade linguística presente no Brasil e no mundo.

Outrossim, é indubitável a importância da educação na vida do ser humano, segundo os preceitos Kantianos, o homem é aquilo que à educação faz dele. Destarte, pode-se destacar como entrave para solucionar o preconceito linguístico a desigualdade educacional, tendo em vista, que pessoas de condições financeiras elevadas desfrutam de escolas com ótima infraestrutura e profissionais capacitados, acarretando em uma melhor preparação dos alunos para o âmbito profissional. Porém, os jovens de condições financeiras inferiores vivenciam centros educacionais com péssima infraestrutura e profissionais incapacitados, ocasionando a evasão escolar de milhares de jovens, os quais tem seus futuros em torno do preconceito por não saberem falar de maneira formal e muitas vezes como mão de obra alienada por não terem escolaridade.

Diante do exposto, cabe ao Estado investir na infraestrutura de escolas públicas, na capacitação de profissionais da área educacional, em palestras nas escolas falando acerca da diversidade linguística e também em campanhas publicitárias de combate ao preconceito linguístico, visando atenuar a disparidade educacional e a discriminação perante a sociedade. Ademais, as escolas deverão envolver os alunos em feiras culturais que tenha como tema a apresentação da história multicultural, buscando mostrar a população que todas as variantes linguísticas tem o mesmo valor para história.