Preconceito Linguístico
Enviada em 18/04/2019
A Constituição Brasileira de 1988 garante o respeito a todas as variantes linguísticas. No entanto, já um aumento desenfreado do preconceito no tecido social relacionado às diversidades da língua. Isso se evidencia não só nas relações interpessoais, mas também no ambiente escolar com um ensino restrito à gramática normativa.
Em primeira instância, é importante ressaltar que o convívio da sociedade tem sido prejudicado, devido a intolerância e o não saber lidar com as divergências. Segundo o professor Marcos Bagno, em seu livro “Preconceito linguístico”, as relações atualmente são estabelecidas por condições, e uma delas é a forma de se comunicar. Caso o linguajar utilizado seja diferente do grupo a pessoa é excluída e se torna motivo de piada. Por conseguinte, indivíduos são menosprezados não por falar errado, mas por serem diferentes, e algumas pessoas não saberem relacionar com formas distantes da formalidade. Outrossim, o setor educacional tem favorecido para a crescente exponencial do preconceito linguístico. Mesmo com inúmeras línguas faladas no Brasil, a escola prioriza a formalidade do português e não mostra as inúmeras ramificações. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são mais de 180 línguas faladas em solo brasileiro, sendo LIBRAS a segunda oficial. Entretanto, poucos são os professores capacitados para darem aulas de libras, ademais, ensinarem as outras variantes. Consequência disso os alunos enxergam as outras modalidades faladas como erradas e retrógradas e assim começa o desprezo e discriminação. Logo, educar os discentes a entender e aprender com as disparidades é essencial.
Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas para resolver esses impasses. Cabe ao Ministério da Educação incluir na grade curricular a disciplina de Libras e capacitar os professores para ministrarem as aulas, e ensinar as mais variadas línguas, a fim de que os alunos reconheçam as suas existências e convivam com elas não de forma preconceituosa, mas harmônica. Ademais, fazer palestras com professores de outras regiões para apresentarem as outras formas de comunicar, ressaltando que não existe a forma errada, pois o português apresenta multivariedades. Por fim, a mídia por meio de ficções engajadas deve divulgar a realidade do preconceito vivido na sociedade, com o objetivo de conscientizar a sociedade para a mudança. Assim, a geração futura não terá os mesmos erros que a atual.