Preconceito Linguístico

Enviada em 02/05/2019

Após o início das Grandes Navegações, o mundo viveu um período de constantes colonizações, nas quais a ocupação de Portugal no território brasileiro. Nesse contexto, era fundamental que os portugueses praticassem uma repressão do falar lusitano sobre o idioma indígena com o intuito de impedir a conquista do local por outras nações. Entretanto, no cotidiano brasileiro esse cenário de imposição linguística tornou-se um problema no meio social, no qual – seja pela escola que reconhece um único aspecto da língua portuguesa, ora pelo papel estereótipo da mídia – corrobora para que exista um preconceito linguístico e que cidadãos usem o idioma como forma de opressão.

Em princípio, cabe analisar o papel da escola na segregação linguística sob a visão do sociólogo francês Émile Durkheim. Segundo o autor, o indivíduo só poderá agir na medida em que conhecer o contexto em que está inserido. Analogamente, no momento que o cidadão só conhece o âmbito linguístico exposto pela escola – que valoriza apenas a gramática tradicional – ,o mesmo tende a marginalizar quem fala diferente por desconhecer a pluralidade do idioma brasileiro. A título de exemplo, em julho de 2016, um médico de São Paulo postou uma foto nas redes sociais de modo a ridicularizar a fala de seu paciente, logo, a vítima de tal preconceito acaba excluída de vários espaços públicos, o que provoca uma desigualdade social.

Ademais, além da atuação escolar, o papel categorizador da mídia também auxilia para a problemática e convém ser contestado sob a perspectiva do sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Segundo tal pensador, as pessoas seguem a correnteza, obedecendo seus costumes e impossibilitadas de mudá-los. Nesse sentido, na medida que a mídia estereotipa, de modo cômico, as variâncias da língua em séries ou novelas, acaba por favorecer que telespectadores sigam a fluidez e atuem na segregação. Por consequência, cada vez mais pessoas são ridicularizadas e reprimidas por usar o idioma fora da linguagem culta, assim, lentamente a variedade linguística nacional transforma-se homogênea.

Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, as escolas, com auxílio do Ministério da Educação, devem apresentar a variação linguística de maneira intensiva, de modo a usar vídeos e documentários do cotidiano, em aulas especiais de gramática, que possam educar os alunos e abordar os diferentes jeitos de falar em cada região. Dessa forma, será possível descontruir o preconceito linguístico presente no Brasil e inibir a existência de uma desigualdade social. Além disso, a mídia analógica, por meio de comerciais educativos, deve destacar a relevância das variantes do idioma e deixar de ironizar tais diversidades, a fim de prestigiar a identidade do dialeto brasileiro e permitir que a imposição da linguagem fique apenas nos contos históricos da colonização.