Preconceito Linguístico
Enviada em 09/05/2019
O código genético possui informações que determinarão todas as características de um ser vivo. Entretanto, independente da espécie sua composição é uma só. Assim, possuindo todo ser humano um código genético, uma característica que não diferencia raça, posição econômica ou social, o homem custa a pensar que é superior ao outro, por exemplo, nas diferenças linguísticas. Nesse contexto, no Brasil, essa diferença chamada de preconceito linguístico provoca, por conseguinte, um pensamento de superioridade que está muito além da fala: um preconceito educacional e socioeconômico.
Primeiramente, segundo Marcos Bagno, o processo de formação da norma culta da língua portuguesa se deu na seleção da língua falada por uma parte restrita da população. Com isso, durante muitos anos, o acesso à norma padrão escrita ocorreu somente aos membros clericais, como exemplo tem-se a Idade Média: período em que a Igreja detinha o monopólio cultural. Atualmente, mesmo após a educação ter sido democratizada na Constituição Federal de 1988, uma minoria continua tendo acesso à educação de qualidade e, portanto, ao aprendizado da norma padrão da língua: a de maior renda.
Por outro lado, o Governo Federal adota uma divisão social da população brasileira relacionada à renda: classe alta, classe média e classe baixa; isto é, quanto mais dinheiro, mais classe o indivíduo possui. Atrelado a isso, Marcos Bagno também afirma que o “preconceito linguístico é um preconceito social”, parafraseando temos que a classe social de um indivíduo descreve seu poder econômico e, consequentemente, educacional. Desse modo, quando se fala, a pessoa deixa claro o conhecimento que possui sobre a norma padrão escrita, ou seja, se teve condições de custear uma boa educação. Tal situação se confirma por meio de pesquisas realizadas pelo Ministério da Educação (MEC), onde as pessoas mais escolarizadas são também as de maior renda e as de maior posição social.
Dessa forma, é imperativo a necessidade de um maior acesso à educação e à sua qualidade aos cidadãos marginalizados. Para isso, mesmo que haja o ensino sobre a existência do preconceito linguístico nas escolas, em primeira instância, ainda é preciso garantir que esse ensino, inclusive sobre a norma culta padrão, alcance pessoas que não têm contato com estudantes e escolas. Assim, por meio da educação de indivíduos periféricos, as Organizações Não Governamentais (ONG’s) têm papel fundamental - a fim de promover uma mobilização social- na conscientização e na inserção na “sociedades de oportunidades” que exige a norma culta padrão. Além disso, visto que o preconceito linguístico está travestido em desigualdade socioeconômica e educacional se faz essencial, a médio prazo, a criação de políticas públicas que permitam que indivíduos de classes sociais baixas consigam sobreviver e estudar, iniciativa de responsabilidade do Governo Federal.