Preconceito Linguístico

Enviada em 08/07/2019

Promulgada pela Organização das Nações Unidas em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à liberdade de expressão e ao bem-estar social. Conquanto, o preconceito linguístico impossibilita que uma parcela da população desfrute desse direito universal na prática, haja vista a discriminação acerca da linguagem e a normatização da gramática. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.

Segundo Pierre Bourdieu, sociólogo francês, os indivíduos, na esfera social,dividem-se em posições de dominantes e dominados. Essas categorias são definidas em função do capital econômico, cultural e social. Para o mesmo, existe a dominação simbólica, cujo um dos exemplos é a própria linguagem. Ou seja, pessoas ou grupos de maior prestígio na escala social e econômica normalmente tendem a ser vistos como superiores intelectualmente, e,desse modo, perpetuando o preconceito linguístico, levando em conta o sentimento e comportamento hegemônico socialmente construído.

Faz-se mister, ainda salientar a aplicação autoritária e intolerante da gramática normativa em relação às particularidades e regionalizações da Língua Portuguesa. Precipuamente, é importante destacar que, embora todos os brasileiros sejam falantes do mesmo idioma, ele apresenta diversas particularidades no contexto regional, etário, social e histórico. Diante de tal contexto, é demonstrado que a norma culta é apenas uma ferramenta de auxílio à língua, todavia tornou-se preconceituosa e repressiva às demais variantes da linguagem, categorizando-as como inferiores e passíveis de preconceito linguístico.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Dessa maneira, urge que o Ministério da Educação deve intensificar o projeto de ensino das variantes linguísticas brasileiras nas escolas e instituições, visando desconstruir o preconceito e a discriminação das inúmeras formas de linguagem, demonstrando que não há apenas um padrão correto da Língua Portuguesa. Além disso,o MEC, com o objetivo de desenvolver o projeto citado, poderia adotar o livro didático “Por uma vida melhor”, da coleção “Viver,aprender” para ressaltar o combate a descriminação linguística, haja vista que a obra valoriza a pluralização da língua. Dessa forma, o Brasil poderia superar o preconceito linguístico em seu território.