Preconceito Linguístico

Enviada em 17/05/2019

“O ser humano não teria alcançado o preconceito linguístico se, repetidas vezes, não tivesse tentado ignorar e desprivilegiar determinadas variações linguísticas”. Com essas palavras, Max Weber, sociólogo alemão, afirma que o preconceito linguístico, mas também, posteriormente à quebra de paradigmas, é necessária a insistência, por parte de um grupo social, na tentativa da sociedade, observar, por outro ângulo, os benefícios de aprender a tolerar e privilegiar as variantes linguísticas pelos integrantes dessa mesma sociedade.

Primeiramente, o dever de aprender a tolerar as variações linguísticas do país, de modo que inviabilize os indivíduos sejam vítimas de preconceito linguístico, está assegurado não só pelos Direitos Humanos, como também pela Constituição do Brasil. Além disso, os pilares de uma república são deixados de lado a partir do momento em que os índices de preconceito linguístico no Brasil são resultados da intolerância dos próprios brasileiros, abrindo oportunidades para que a sociedade se torne, cada vez mais, excludente tendo em vista que, segundo o escritor e linguista Marcos Bagno, a língua exerce, por parte de muitos indivíduos, a ideologia de exclusão social, além da dominação política de outros indivíduos.

Paradoxalmente, o Brasil, visto como um país acolhedor pelos demais países, está inserido em uma dicotomia: ao mesmo tempo em que é reconhecido mundialmente por suas políticas de inclusão, deixa a desejar no que se refere ao privilégio e à tolerância das variantes linguísticas haja vista que, segundo os dados do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil compreende inúmeras variações linguísticas em seu extenso território por apresentar cerca de 9,4% de brasileiros analfabetos, além de disparidades regionais pelo país, os quais tornam árduo o processo de instauração de uma única língua no país.

O preconceito linguístico, portanto, deve ser combatido com a iniciativa do Ministério da Educação em parceria com as escolas municipais, psicólogos e linguistas de realizarem a implementação de projetos psicopedagógicos, por meio de palestras educacionais, além da propagação de folhetins relacionados ao assunto, para que possa haver um trabalho de transformação na mentalidade, tanto do corpo docente e discente quanto de toda população dos municípios, em relação aos privilégios do Brasil por compreender inúmeras variantes linguísticas, mas também o aprendizado da tolerância da diversidade linguística por parte dos próprios brasileiros. Sendo que esses projetos seriam reimplementados anualmente, tornando-os uma prática cotidiana nas escolas brasileiras.