Preconceito Linguístico

Enviada em 18/05/2019

A língua falada está mais propensa a transformações com o passar do tempo do que a língua escrita. Diante disso, para se combater preconceitos linguísticos, um estudante deve ter a capacidade de reconhecer as diferenças entra a linguagem culta e a coloquial, bem como a importância de cada uma no contexto social.

No ano de 2011, a distribuição de livros didáticos de português pelo MEC causou polêmica por conter algumas linhas em que se defendia o uso da linguagem coloquial como, por exemplo: “nós pega o peixe”. Consequentemente, muitos interpretaram que as escolas ensinariam incorretamente aos alunos; quando, na verdade, se tratava de uma exposição das diferentes variantes da língua. Porque, é sabido que nos diversos grupos sociais e regiões do Brasil, a língua falada varia em relação a linguagem escrita. Saber isso combate o preconceito linguístico, pois ajuda reconhecer que o idioma não possuí apenas a forma dura da norma, mas ele é, acima de tudo, um meio de comunicação e que, no cotidiano, o que importa é se fazer entendido, transmitir uma mensagem.

No entanto, é através da padronização da língua escrita que se é possível preservar, através do tempo, a informação. Por exemplo, se o registro de leis se desse por meio da língua falada, a qual se transforma conforme cada grupo social e contexto, a compreensão desses documentos seria limitada, pois não se utilizaria de uma norma da escrita que poderia ser compreendida por qualquer cidadão brasileiro, independente do seu grupo social. Ademais, uma vez que a linguagem escrita não conta com os diversos recursos da língua falada (por exemplo, entonação e gesticulação), se faz necessário que se normatize a forma de escrever. Assim, qualquer um, em posse do conhecimento da norma culta da língua portuguesa, pode garantir que o conteúdo de sua mensagem tenha seu sentido preservado pela linguagem escrita e, por consequência, o leitor poderá ter a devida interpretação do que se é lido. Diante do exposto, tanto a língua falada como a culta se complementam e possuem suas funções de transmitir um conteúdo através do idioma português. Logo, não faz sentido o preconceito linguístico de uma forma em detrimento da outra, já que ambas cumprem sua função de comunicação. Então, um estudante do ensino básico ao médio precisam saber reconhecer essas diferenças. Para isso, o MEC deve continuar com os livros didáticos que registrem a existência tanto da língua culta como da coloquial. Porém, a língua falada já é a língua corrente e de posse de todos, necessitando, somente, que no ambiente escolar, ela seja apresentada como uma variante e respeitada. Portanto, o professor ao apontar a existência dos coloquialismos deve ensinar a norma culta, pois essa é unicamente aprendida e dominada no ambiente escolar.