Preconceito Linguístico

Enviada em 19/05/2019

“É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Essa frase, dita por Albert Einstein, deixa evidente, segundo seu pensamento, a dificuldade de combater o preconceito que se encontra enraizado no corpo social. O preconceito linguístico é, em especial no brasil, um grande retrocesso, sendo um reflexo de um pensamento colonial e um fator de exclusão social. Assim sendo, torna-se necessário um debate sobre as causas e consequências dessa problemática.

Em primeiro plano, é necessário entender que o Brasil foi um país colonizado, logo, a imposição cultural pelo seu colonizador é intrínseco e amplo. Uma ideia vastamente  difundida pelos brasileiros é que apenas o português que é falado Portugal é correto, e a língua utilizado no país é uma cópia medíocre da “pátria-mãe”. Portanto, é notável a presença do “complexo de vira-lata”, defendido pelo escrito Nelson Rodrigues, onde o proprío povo brasileiro se vê como inferior perante a outros encontrados no exterior, algo que amplia a difusão do preconceito linguístico.

Por conseguiente, é importante notar que a gramática normativa é utilizada como instrumento de poder e controle. Segundo o linguísta Marcos Bagno, no seu livro, “preconceito Linguístico: o que é, como se faz”, a gramática formal, que segue a risco a norma culta, se tornou um meio de manipulação e controle. Como exemplos temos as sessões de discussão de políticos, que são repletos de lingagem própria, impossibilitando o entendimento da população que tem menos acesso a educação, e consequentemente, facilitando a implantação de leis que prejudica essa parcela da sociedade. Assim, o preconceito linguístico, acaba sendo utilizado para justificar essa utilização exacerbada de formalidade.

Infere-se, portanto, que combater o preconceito linguístico é um grande desafio. As escolas, juntamente com as famílias, devem atuar em favor da população, através de palestras educativas e debates que abordam questões como valorização cultural e linguística, afim de eliminar a visão colonialista e eurocentrica implantada na população, e consequentemente à aversão ao “português brasileiro” . Aliado a isso, a mídia, juntamente com o MEC (Ministério da Educação), deve criar propagandas que abordam as consequências do preconceito linguístico e a importância de adequar a fala ao público alvo, afim de extingir o excesso de formalidade em situações indevidas e, portanto, evitar a exploração de uma camada menos favorecida da população. Feito isso, um átomo será mais difícil desintegra do que o preconceito