Preconceito Linguístico

Enviada em 19/05/2019

O poema Pronominais, do modernista Oswald de Andrade, já abordava a relação distante entre a gramática e a língua falada no cotidiano do brasileiro. Atualmente, apesar dessa discussão já existente no início do século XX, observa-se atitudes preconceituosas em relação às variedades linguísticas do país. Por isso, é fundamental analisar a exaltação da norma culta e a persistência de outros preconceitos como causas para a discriminação linguística no Brasil.

Percebe-se, de início, que a valorização exacerbada da norma culta provoca o preconceito linguístico no Brasil. Isso porque a exaltação da gramática ocorre em detrimento das outras variantes linguísticas. Com isso, há a discriminação ao desconhecido, já que, segundo a filósofa Agner Heller, crer em preconceitos mantém o indivíduo na zona de conforto, pois confirma as ações tomadas por ele anteriormente e assegura a coesão no grupo discriminador, que, geralmente, relaciona-se com as classes dominantes.

Nota-se, ainda, que o preconceito linguístico está relacionado com o preconceito socioeconômico regional. Isso se explica porque a norma culta foi criada pela elite brasileira e ela é usada como forma de poder e dominação sobre aqueles que não a dominam, como já dito pelo especialista no tema Marcos Bagno. Como consequência disso, há a exclusão sofrida pelos discriminados por expressar linguisticamente a cultura da região e não ter oportunidade de aprender a gramática normativa por causa da condição socioeconômica deles. Esse contraste é percebido pelo dado o IBGE que revela que a taxa de analfabetismo no meio rural é cinco vezes maior que no meio urbano, local em que há maior presença das variantes linguísticas e em que as condições de desamparo se fazem mais presente.

Portanto, é indispensável que haja a valorização da pluralidade linguística brasileira para mitigar o assédio linguístico. Isso se dará por meio da diminuição de outros preconceitos e do entendimento de que não há língua melhor nem pior através de palestras nas escolas com sociolinguistas que desenvolvam o entendimento nos alunos da relação dos fatos sociais com a linguagem organizadas pelas secretárias de educação com o apoio do Ministério, a fim de que todos possam entender a importância e a beleza da diversidade em todos os aspectos existente no Brasil.