Preconceito Linguístico
Enviada em 20/05/2019
Por muito tempo, as diferentes linguagens utilizadas cotidianamente em uma sociedade eram vistas como um modo de distinção social, segregando tacitamente os mais ricos - os quais possuíam maior poder aquisitivo e, por conseguinte, mais acesso ao estudos - dos mais pobres que, em sua maioria, não tinham acesso a um ensino de qualidade. Atualmente, essa segregação ainda persiste e, diante desse aspecto, convém avaliar os fatores que influenciam esse quadro.
“Todo homem toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo”, segundo Arthur Schopenhauer. Consoante ao autor, a sociedade encara a questão da diferença linguística como uma forma de diferenciação social sem compreender, antes, o porquê dessa variedade, pois está limitada a pontos de vista particulares que favorecem o surgimento de preconceitos. É importante perceber que a diversidade linguística, especialmente no Brasil, não se resume apenas à situação socioeconômica de um povo, como também possui peculiaridades nas diferentes regiões do país, que proporcionam, assim, uma maior bagagem cultural resultante do processo histórico de miscigenação entre povos nativos e estrangeiros, que enriqueceu a cultura brasileira.
“É importante proporcionar uma intensa educação sobre os direitos humanos a todas as comunidades a fim de superar antigos preconceitos” disse Ruth Manorama, ativista indiana. O caso do preconceito linguístico carrega não somente a aversão ao modo como um indivíduo se expressa socialmente, mas a um grupo de indivíduos, que pode compor uma parcela da população que não possui representatividade ou é discriminada, também, pela cor, orientação sexual e falta de poder aquisitivo. Por isso, uníssono a Ruth Manorama, é crucial que o conhecimento dos direitos humanos seja garantido, para assegurar o direito de fala dos diferentes grupos que compõem a sociedade.
Infere-se, portanto, que providências são necessárias para combater o preconceito linguístico. O Ministério da Educação deverá cobrar a inserção de temas que abordem os direitos humanos nos materiais didáticos das escolas, com o objetivo de instruir crianças e jovens acerca da importância do respeito e da tolerância na comunidade. Cabe, ainda, à mídia, com o poder de influência que carrega, convidar especialistas e pesquisadores da língua portuguesa para entrevistas e debates sobre as questões que o preconceito linguístico suscita, como por exemplo a discriminação de grupos sociais, para conscientizar e informar os telespectadores, possibilitando, assim, a organização de uma sociedade mais inclusiva e tolerante.