Preconceito Linguístico

Enviada em 19/05/2019

Durante a pré-história, a primitiva comunicação entre hominídeos para as relações sociais se estabelecia por meio de gritos e gestos. Hodiernamente, a língua, principal forma de comunicação e, instrumento o qual sustenta a sociedade, também pode atuar de forma negativa, sendo uma das ferramentas de segregação social. Nesse contexto, é necessário entender as variações comunicativas e estabelecer medidas para que o preconceito linguístico seja minimizado.

Em primeira análise, é importante salientar as razões que desencadeiam esse tipo de preconceito. Percebe-se que a valorização da norma culta, utilizada como forma de eleger a superioridade do enunciador, apresenta uma rígida categorização que desprivilegia as diversas particularidades linguísticas ligadas ao contexto regional, etário, social e histórico, expondo inúmeros indivíduos à margem da sociedade e menosprezados por conta do preconceito linguístico para com esses indivíduos. Assim, como dizia Jürgen Habermas, filósofo e sociólogo alemão, “a sociedade é dependente da crítica às suas próprias tradições”, isto é, a influência da construção da fala, julgada devido às suas variações regionais, deve sustentar o preconceito imposto às particularidades ligadas à escolaridade e classe social.

Em segundo plano, é imprescindível acrescentar, portanto, os fatores que consolidam o problema ao país. Constata-se , portanto, que a intolerância linguística se baseia em um modelo de hegemonia social, haja vista o uso de diferentes variantes em determinadas regiões do país, que provoca um choque cultural entre a tipologia adotada e o falante, e , consequentemente, a norma padrão da língua portuguesa. Dessa forma, atos de zombaria contra a transmissão de novos conhecimentos linguísticos desprivilegiam inúmeros grupos sociais e, consolidam a prática do “bullying” que, à longo prazo, evidencia a exclusão do indivíduo do corpo social.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para que isso ocorra, cabe às instituições de ensino estabelecer diretrizes para a exposição das variantes linguísticas à comunidade estudantil, promovendo dinâmicas em grupo e palestras para o maior aprimoramento dessa vertente no corpo social, evitando que haja qualquer tipo de preconceito diante dessa situação. Ademais, com o intuito de inibir o preconceito aos falantes da língua, cabe ao MEC (Ministério da Educação e Cultura) criar campanhas contra essa postura e apresentar a importância da legitimidade e variedade linguística que compõem a nacionalidade brasileira.