Preconceito Linguístico

Enviada em 19/05/2019

Bolacha ou Biscoito?

A diversidade linguística brasileira demonstra a grande vivacidade da língua lusitana que cria suas diversas variações e coloquialidade, características de cada região do Brasil, fruto de acontecimentos históricos, ou simplesmente por facilidade, que cumpre assim a função fundamental da linguagem que é comunicar, todavia  é comum se deparar situações na qual um indivíduo é humilhado por outros, inclusive em ambientes virtuais por não fazer uso correto da norma culta, que define regras gramáticas que os regionalismos transgridem.

Nesse sentido, é notável o fato de muitas pessoas ignorarem a já citada função primordial de comunicação que o idioma exerce, e ofenderem a outrem por usar uma linguagem regionalista, visto que raramente se encontra alguém que use a forma correta a todo momento, mesmo entre aqueles que a conhecem e dominam, esses abusos também refletem em sua origem um preconceito de classes, visto que as classes marginalizadas não tem acesso à instrução, logo, a linguagem “correta” é inacessível para os mesmos. Um grande exemplo deste preconceito é a ridicularização que a população nordestina sofre no Sul e Sudeste pelo seu jeito de falar e aparência, porém mesmo o português falado  nesses locais possui diversas coloquialidades e erros.

Outrossim, é de suma importância reconhecer o caráter histórico que o regionalismo traz consigo, marcas de processos, por vezes de grande importância, também marcas da interferência de outras culturas e uma mistura delas, sejam elas portuguesas, africanas, indígenas ou qualquer outra, ajuda a entender o processo de formação político e cultural do povo brasileiro, tudo isto pode ser estudado por meio da linguagem. Um grande exemplo dessa aplicação da linguagem é a fala mineira “uai” que é atribuída a Inconfidência Mineira, na qual tal expressão era uma senha que significava União, Amor e Independência.

Em suma, é de grande importância a atuação da mídia tradicional, que pode promover a diversidade linguística, por meio de programas que valorizem esses hábitos ou até por sátiras ao culto exagerado à forma com programas como o “Zorra” da Rede Globo, afim de valorizar o que torna a língua tão viva, que é a sua diversidade e variação constante. Também é importante a ação por parte das escolas que devem realizar aulas e eventos que, por intermédio disto mostrem aos alunos a importância do respeito para com a linguagem de outrem, com o intuito de formar cidadão cientes desse importante aspecto do idioma e não só a escola mas também os pais devem cultivar desde cedo essa tolerância nos menores, por meio de diálogos sobre o tema, para que se evite as pessoas de voltarem a cometer este equivoco.