Preconceito Linguístico
Enviada em 20/05/2019
Preconceito linguístico é aquele proveniente do desconhecimento das variações que uma língua pode sofrer devido a fatores regionais, culturais e sociais. Esse, por sua vez, é pautado na ideia errônea de que a gramática é a única maneira correta de um idioma ser difundido. Diante desse contexto, é inegável que a norma culta acaba se tornando uma ferramenta de exclusão social, sendo necessária a desconstrução desse preconceito que é originado em uma falha na educação.
Primeiramente, sabe-se que a desigualdade social é um fator limitante no acesso à educação. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre os anos de 2016 e 2017, 25% dos brasileiros foram considerados pobres. Nesse sentido, devido a baixa qualidade do ensino público e da impossibilidade de arcar com os custos de um ensino de qualidade, a norma culta não é dominada por essa parcela da população, que acaba sendo estigmatizada por parte dos que detém o domínio da mesma variedade linguística, e, assim, a gramática se torna uma ferramenta de discriminação social.
Ademais, a parcela privilegiada da população que domina a norma padrão dissemina o preconceito devido a uma falha na educação. A ideia de que a glotologia impera sobre as demais vertentes da língua como os regionalismos, dialetos e socialetos, provém da abordagem tangencial desses assuntos por parte das escolas. Assim, o indivíduo adquire uma formação limitada no que diz respeito à língua e, por conseguinte, não desenvolvem o discernimento para entender que no português, assim como em qualquer outra idioma, o certo e errado são relativos.
Sabendo, pois, que a deficiência educacional torna a gramática uma ferramenta de segregação social, faz-se mister uma mudança na matriz curricular do ensino por parte do Ministério da Educação, forçando as escolas a abordarem melhor as variações da língua em sala de aula e, assim, minimizando a longo prazo essa discriminação. A curto prazo, o Governo Federal deve instituir o “Dia de combate ao preconceito linguístico”, promovendo palestras em escolas da rede pública e privada, contando com a participação de autoridades no assunto, visando disseminar o relativo uso da língua, e, dessa forma, mitigando o impacto social gerado pelo uso imperativo da gramática.