Preconceito Linguístico

Enviada em 21/05/2019

No livro “Urupês” de Machado de Assis, é retratado o personagem Jeca Tatu, um caipira que possuía uma linguagem coloquial, o qual representa o descaso do poder público no interior de São Paulo. Fora da ficção, esse abandono assola muitas regiões brasileiras, principalmente no quesito educação. Esse fato, associado à diversidade cultural cria um ampla diversificação linguística no país. No entanto, essa pluralidade, muitas vezes,  não é reconhecida ou ainda é associada à características pejorativas e preceituosas.

É valido considerar, antes de tudo, a necessidade de reconhecer a variedade de dialetos brasileiros. A existência de um gramática normativa é imprescindível para garantir a comunicação homogenia em diversos setores sociais. Contudo, a língua portuguesa surgiu mediante as trocas de diversos povos - como índios,  portugueses, africanos,  franceses, holandeses, entre outros - e, por conseguinte, surgiram diversas variantes da língua. Ademais, o Brasil possui uma grande extensão territorial o que contribui para essa grande diversidade linguística. Desse modo, não se deve desconsiderar a norma gramatical, mas sim admitir que todas as variantes são inerentes à língua.

Cabe apontar também os efeitos negativos que negar essa diversidade linguística criam na sociedade. Visto que existe um abismo ao comparar a educação dos ricos e dos pobres no Brasil, muitos integrantes das classes menos favorecidas não adquirem conhecimento das regras gramaticais. Esse fato, resulta em uma discriminação em relação às variantes linguísticas, pois elas passam a ser vistas como inferiores. Nesse sentido, como afirmou o sociólogo Marcos Bagno, esse preconceito gera um menor prestígio social o que resulta em uma exclusão principalmente em relação aos melhores postos no mercado de trabalho. Com isso, inicia-se um ciclo de desigualdade social em que os mais pobres não adquirem condições melhores de vida.

Fica claro, portanto, a necessidade de um reconhecimento da diversidade linguística existente no país. Para isso, o Ministério da Cultura juntamente ao Ministério da Tecnologia e informação devem criar um site, lúdico e explicativo, que contenha os diferentes dialetos das regiões e seus significados, para demonstrar o reconhecimento deles como pertencentes da cultura e da formação cultural do Brasil. Ademais, o Congresso Nacional deve formular leis que desencoraje a realização desse tipo de preconceito  por meio de direitos e punições aos que descumprirem. Somente assim, os preconceitos sofridos na ficção por Jeca Tatu não serão reproduzidos na vida real da sociedade brasileira comtemporânea.