Preconceito Linguístico
Enviada em 24/05/2019
No Brasil, o nordeste fala “aipim” e o sudeste “mandioca”, há várias modos de falar o português para um mesmo objeto. É uma questão de regionalismo. O problema ocorre quando o diferente do que foi definido como padrão e norma culta é utilizado para excluír um indivíduo pela sua educação e condição social. Ou seja, há incidência de preconceito linguístico dentre as regiões da nação.
Primeiramente destaca-se o período colonial, época em que o país recebeu influência não apenas de Portugal, mas também de franceses, holandeses e alemães. Esses povos estiveram presentes na rotina dos brasileiros e modificaram, de certa forma, o desenvolvimento do português falado em cada região do país. A literatura nacional nomeia essas diferenças como regionalismo. Isso é visto tanto no romantico José de Alencar, quanto no modernista Guimarães Rosa. Há nesses autores a valorização dos modos diferentes de se expressar que cercam o Brasil. Isto é, uma maneira de representação cultural.
Em segundo lugar na atualidade, as formas diferentes de se expressar são utilizadas como chacota e tornam-se piadas. Por exemplo, no sertão mineiro fala-se sem preocupação com a conjugação verbal ou o uso do plural. Quando estes encontram um paulista já são criticados como iletrados e até ditos analfabetos. A língua falada, no dia a dia, é coloquial, dessa maneira, representa uma forma de se expressar e transmitir informações de forma rápida e objetiva. A escrita, em contraste, é passível de atingir toda a nação e, por esse motivo, busca-se às regras e à padronização.
Portanto, os diferentes modos de falar o português representão culturas e deve ser preservada e respeitada. A Academia Brasileira de Letras, como instituição que busca o cultivo da língua, deve se unir ao MEC ( Ministério da Educação) para ensinarem a população a cerca das diferenças regionais e a cultura da fala. Devem organizar palestras e oficinas e, por meio dos personagens da literatura, como Riobaldo de Rosa e Macunaíma de Mário de Andrade, que representam às várias regiões do Brasil, demonstrar às pessoas como o português falado pode ser diferente. Tem-se, com isso, um povo que compreende e respeita as diferenças possíveis na comunicação.