Preconceito Linguístico
Enviada em 30/05/2019
Na obra de Mauricio de Sousa, ¨Turma da Mônica¨, é retratada por meio de histórias em quadrinhos a vida de Mônica e de seus amigos. Na ficção, Chico Bento, amigo da protagonista, possui uma maneira diferente de se comunicar, com o uso de expressões populares e linguagem coloquial, devido, principalmente, a bolha sociocultural na qual está inserido. No entanto, apesar desse modo linguístico ser normal para Chico, muitas pessoas o julgam pejorativamente por isso, o que o torna vítima do preconceito linguístico, sendo esse cenário análogo à realidade brasileira.
Primeiramente, é notável analisar que a língua portuguesa possui quantidade expressiva de variantes, seja por estar presente em vários países como Angola e Timor Leste, ou também por ter variedades dentro de um país, como no caso do Brasil. Entretanto, ainda assim são frequentes situações em que ocorre o desrespeito à essa alteridade da linguagem, sobretudo pelo pensamento equivocado em parcela significante dos brasileiros, relacionado a supervalorização da língua culta em detrimento aos regionalismos, que são, contudo, importantíssimos para a construção cultural de uma população. Com isso, além de prejuízos relacionados a linguagem, ocorre também um prejuízo cultural, visto que a língua de um povo é fundamental para elaborar suas singularidades sociais.
Em segundo lugar, um sistema educacional tecnicista, focado em aspectos específicos da língua, como regência nominal ou sintaxe do período composto, corrobora para intensificar esse preconceito, poia admite as variedades linguísticas, fora da normal padrão, como vulgares. Além disso, segundo o doutor em letras da UnB, professor Marcos Bagno, as escolas, por desenvolveram esse sistema voltado para as especialidades gramaticais, acabam por não cumprir seu papel primordial, que consiste na formação de leitores proficientes da língua portuguesa.
Assim, diante dessa problemática, urge a necessidade de adotar medidas para amenizar essa situação. Para tal feito, é mister que o Ministério da Educação, por intermédio das instituições de ensino, promova a culturalização acerca do respeito à alteridade linguística. Isso poderá ser feito por meio de mudanças referentes à formação dos professores de língua portuguesa, com a adoção de currículos inovadores pelas faculdades de letras, que abordem a linguagem do modo em que ela é apresentada no cotidiano da sociedade. Por conseguinte, objetiva-se minimizar os prejuízos do preconceito linguístico nas salas de aula, e posteriormente na sociedade como um todo, na tentativa de tornar dessa forma, o julgamento que Chico Bento sofre na tirinha, distante da realidade nacional.