Preconceito Linguístico

Enviada em 01/06/2019

(Des) estruturação moral

Desinformação, preconceito, hostilidade. Diversos são os desafios enfrentados pelos indivíduos que falam a língua portuguesa de modo diferente ao especificado pela gramática normativa. Ao longo do processo de colonização do Brasil houve uma intensa troca idiomática entre índios, africanos e portugueses,  sendo a língua portuguesa considerada superior pelos colonizadores. Com efeito, esse panorama de preconceito linguístico, fruto de uma herança histórica elitista do idioma e da ineficácia do Estado em reverter esse quadro, mostra-se um desafio da modernidade.

Em primeira instância, a herança histórica da formação do idioma brasileiro reflete uma visão eurocêntrica exacerbada, haja vista que o povo brasileiro tende a agir pelo “complexo de vira-lata”, de maneira a valorizar a cultura e idioma dos países centrais e a menosprezar os elementos nacionais, inclusive seu próprio idioma. Mais difícil ainda é que os brasileiros respeitem as variações linguísticas de lugar, de idade e principalmente, de classe social existentes no país, de forma a gerar assim, grande discriminação dos dialetos diferentes.

Em um segundo plano, o descaso Estatal fomenta um complexo cenário de preconceito linguístico, visto que o Ministério da Educação (MEC) ainda exige das escolas o ensino único da gramática normativa quando essa, não é a gramática efetivamente falada pela sociedade brasileira. Ademais, segundo a concepção do linguista brasileiro Evandro Bechara “temos que ser poliglotas dentro da nossa própria língua”, ou seja, precisamos entender as variadas formas do português falado no Brasil, que mudam de acordo com a região, com o nível de escolaridade e com a diferença entre faixas etárias.

Portanto, é perceptível que a herança elitista e a ineficácia Estatal são desafios ao fim do preconceito linguístico no Brasil. Visto isso, a fim de garantir acentuada melhora nesse panorama, cabe ao Governo Federal, via MEC, por meio de estratégias educacionais, tornar o ensino da língua portuguesa menos rígido quanto à normatividade e mais flexível quanto às variedades existentes. Adicionalmente, a mídia televisiva deve realizar campanhas de conscientização, de forma a mostrar a multipluralidade linguística existente no país. Dessa maneira, todos os cidadãos serão beneficiados e a concepção de Evandro Bechara tornar-se-à uma feliz realidade no contexto nacional.