Preconceito Linguístico
Enviada em 11/06/2019
Exclusão social e intolerância. Esses são fatores enfrentados por uma parcela da população que escreve ou fala uma variedade linguística diferente da considerada a variante padrão da língua portuguesa e ambas as palavras retratam um problema maior: o preconceito linguístico. Ele é definido como uma atitude de julgamento em relação à diversidade da língua como, por exemplo, não respeitar o falar alheio, o sotaque ou o dialeto do outro. Isso ocorre devido não só ao modelo educacional brasileiro, como também à fatores históricos e culturais. Assim, é necessário analisar as causas e os efeitos acerca do tema, visando à orientação da população e, consequentemente, à atenuação do problema. Deve-se pontuar, de início, que o modelo de ensino da língua portuguesa nas escolas é uma das causas do preconceito linguístico no Brasil. Tal modelo valoriza a variante padrão dos livros e dos dicionários e estigmatiza qualquer outra como errada e, por isso, acaba imprimindo discriminação quando, muitas vezes, não leva em consideração as variações fonológicas, morfossintáticas e léxico-semânticas dos alunos. Segundo o linguista Marcos Bagno, a escola deve ensinar a norma culta da língua, porém deve também entender e repassar a importância das variedades linguísticas, ensinando que existem situações diferentes com níveis de formalidades diferentes e que a fala deve ser adequada a cada contexto – o que não acontece no ensino atual. Acrescenta-se, ademais, que fatores históricos e culturais também constituem uma causa para a permanência do preconceito linguístico no país. Isso pode ser visto na configuração socioeconômica e regional da sociedade brasileira, já que as pessoas que dominam altos cargos são falantes estritos da norma culta da língua portuguesa. Por outro lado, pessoas de classes sociais inferiores são estereotipadas como falantes errados. Muitas vezes, estas são motivos de piadas –juízos de reprovação por uma parte da sociedade, que as exclui e as marginaliza. De fato, tal atitude se relaciona ao conceito de banalidade do mal, formulado pela socióloga Hannah Arendt, quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Se o preconceito se naturaliza, não há oportunidades de ascensão social para grupos marginalizados pela língua e nem de reflexão sobre a gravidade do tema. Entende-se, portanto, que o preconceito linguístico é derivado do modelo educacional do Brasil e também à fatores históricos e culturais. A fim de atenuar o problema, é necessária uma reformulação do ensino da língua portuguesa nas escolas. Para isso, o Ministério da Educação deve reorganizar a matriz curricular implementando mudanças, como a obrigatoriedade de aulas sobre as variedades linguísticas, desde a formação histórica até como o preconceito se consolidou. Além disso, é necessário oferecer cursos nas escolas públicas e privadas para os professores como forma de instruí-los sobre o novo ensino.