Preconceito Linguístico
Enviada em 13/06/2019
A estrutura genética da população brasileira foi formada a partir da mistura entre africanos, portugueses e índios, gerando grande miscigenação, assim, vários diletos e sotaques foram introduzidos, consequentemente. Entretanto, a sociedade brasileira ainda possui altas taxas de preconceito contra aqueles que falam diferentemente da linguagem padrão, tornando-os alvos de discriminação e estereótipos, o que contribui para a persistência do problema. Assim, é imprescindível debater e buscar minimizar os impactos do problema.
Em primeira análise, cabe pontuar que dentro da sociedade brasileira não é raro encontrar diversos tipos de manifestações artísticas, de expressão e linguísticas, por exemplo, as variantes faladas no Nordeste divergem das faladas no Sul, contribuindo para a riqueza do idioma português. No entanto, contrariando o Artigo 3 da Constituição Federal que garante a igualdade de todos, há certa resistência por parte da população em aceitar essa diversidade, o que resultou na criação de estereótipos de nordestino analfabeto e inferior, tal como pessoas do interior como “da roça”, entre outros grupos cuja fala é considerada errada. Consequentemente, a dificuldade de conseguir um emprego digno e ascensão social é ainda maior dentro desse grupo de pessoas, justamente devido ao preconceito linguístico, excluindo-os socialmente.
Em segunda análise, é importante ressaltar que a crise educacional brasileira não é um mistério, por isso ainda há indivíduos que não tem acesso às escolas, ou possuem acesso à um ensino de péssima qualidade. Nessa perspectiva, essa deficiência da área da educação é utilizada pela população e, principalmente, pela mídia para criar um imaginário popular de que quem fala errado é pobre e inferior, a exemplo, a personagem Adelaide, do programa humorístico Zorra Total, ela é tratada comicamente como uma negra que fala de forma errada com relação à norma padrão. Questões assim são armas de discriminação porque facilitam a assimilação populacional de que indivíduos na mesma condição que Adelaide são inferiores e devem se envergonhar da forma como falam apenas por ser uma maneira pouco convencional dentro do padrão aceito.
Portanto, medidas são necessárias para a resolução da problemática. Recomenda-se que o Ministério da Educação, juntamente com o apoio da mídia, promova, através de debates e discussões literárias sobre livros que possuam uma linguagem diferente da norma padrão, um trabalho mais intenso e reflexivo com o conteúdo de variação linguística nas escolas e universidades públicas e particulares, a fim de atenuar o preconceito presente no Brasil. Assim, uma sociedade menos discriminatória poderá ser assegurada.